Abel expõe carência após saída de Allan e deixa pista sobre reforço desejado no Palmeiras
O treinador quer mais do que aumentar o número de jogadores disponíveis no elenco. As declarações sobre Allan e Paulinho revelam quais recursos ainda fazem ...
O treinador quer mais do que aumentar o número de jogadores disponíveis no elenco. As declarações sobre Allan e Paulinho revelam quais recursos ainda fazem falta ao Palmeiras
A vitória sobre o Vasco por 1 a 0, no último domingo (1º), pela semifinal da Copa do Brasil, não impediu Abel Ferreira de voltar a expor uma questão importante sobre a montagem do elenco do Palmeiras. Na entrevista coletiva após a partida, o treinador reconheceu que a saída de Allan para o Manchester City reduziu suas alternativas e admitiu que gostaria de contar com mais opções tanto entre os titulares quanto no banco de reservas. A declaração recupera uma preocupação apresentada pelo português ainda durante a negociação do atacante e coloca novamente em discussão a necessidade de reposição no mercado.
“Vocês sabem que, desde a saída do Allan, ficamos com menos opções. Eu gostaria de ter mais opções no 11 e no banco”, afirmou Abel. O treinador também explicou a dificuldade de encontrar um substituto à altura do jogador negociado por 40 milhões de euros. “Vamos substituir o Allan por quem? Por ninguém, porque, para substituir o Allan, são necessários 40 milhões de euros. O treinador tem que encontrar sempre uma solução”, acrescentou.
A manifestação ganha relevância porque Abel já havia defendido publicamente a necessidade de buscar alternativas para a função antes mesmo da concretização da transferência. Em agosto, quando o Manchester City avançou pela contratação do jovem, o português afirmou que o Palestra precisaria encontrar recursos para trazer um jogador capaz de exercer funções semelhantes.
Na ocasião, também destacou que Allan reunia características difíceis de encontrar no mercado, especialmente pela capacidade de atacar e defender o corredor direito. A Cria da Academia havia conquistado espaço justamente pela versatilidade oferecida ao sistema de Abel. O jogador conseguia atuar aberto pela direita, avançar como ala em uma linha de três defensores e também ocupar espaços por dentro, alternando movimentações com Giay.
O que saída de Allan deixou como desafio tático?
Em 2026, antes da transferência, acumulava seis gols e cinco assistências, além de se destacar pela capacidade de vencer adversários no um contra um. Ao explicar o valor esportivo do jogador, Abel apresentou uma característica que ajuda a entender o perfil de reforço que considera importante para o Palmeiras. “As melhores equipes do mundo não compram meio jogador. Compram jogadores que atacam e defendem”, afirmou o treinador em agosto.
Allan em ação pelo Palestra: a saída da Cria Alviverde deixou uma lacuna tática na Alamedas – Foto: Anderson Romao/AGIFA questão é que encontrar essas características dentro do próprio elenco não significa necessariamente reproduzir aquilo que Allan entregava. Arias, Felipe Anderson, Giay, Khellven e Maurício aparecem entre as alternativas que podem ocupar funções semelhantes em determinadas estruturas, mas possuem características e comportamentos diferentes. A discussão, portanto, não se resume à existência de substitutos, mas ao conjunto de recursos que Abel tem à disposição para modificar a equipe.
A dificuldade também apareceu na própria explicação do treinador sobre as escolhas diante do Vasco. Abel mencionou que, em determinadas situações, encontra jogadores com características semelhantes no meio-campo, como Lucas Evangelista, Marlon Freitas e Andreas Pereira, enquanto Emiliano Martínez oferece uma alternativa de maior contenção.
Um drama chamado Paulinho
Outro nome citado pelo treinador ajuda a ampliar o diagnóstico: Paulinho. Ao avaliar as dificuldades para transformar o domínio territorial em mais gols contra o Vasco, Abel reconheceu que sentiu falta de um jogador mais criativo, capaz de encontrar soluções diante de uma defesa fechada. “Faltava, falta, e para este tipo de jogo, um jogador mais criativo, um abre-latas”, explicou.
O atacante representa uma característica diferente daquela oferecida por Allan, mas sua ausência também evidencia a importância de contar com atletas capazes de resolver situações que exigem improvisação, condução e desequilíbrio individual. A avaliação mostra que o treinador procura combinações que ofereçam respostas diferentes de acordo com o comportamento do adversário. Ter mais jogadores à disposição não significa, necessariamente, ter mais soluções para todos os cenários.
Venda foi movimento inevitável no Palestra
A negociação de Allan, por sua vez, precisa ser compreendida dentro da realidade financeira e esportiva do clube. O Palmeiras aceitou uma proposta de 40 milhões de euros, em uma operação que valorizou o trabalho de formação e representou uma receita expressiva. O próprio Abel reconheceu a dimensão financeira da transferência e a dificuldade de encontrar no mercado um atleta com características semelhantes pelo mesmo investimento.
O desafio da diretoria, entretanto, passou a ser equilibrar o resultado econômico da negociação com a manutenção da competitividade de um elenco que segue disputando três competições. Nesse contexto, a fala após a vitória sobre o Vasco funciona como um novo sinal sobre as necessidades da SEP para a sequência do planejamento. Abel não apontou um nome específico, tampouco fez um pedido público por uma contratação imediata, mas deixou claro que gostaria de contar com jogadores capazes de ampliar suas possibilidades de escalação.