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Análise: Michel Estrada preocupa, mas Raio X mostra brechas que Palmeiras pode explorar contra LDU

A pressão agressiva do técnico Álvarez é o maior perigo para o Verdão, mas também esconde a brecha perfeita para o esquema tático de Abel ‘surfar’ A...

Análise: Michel Estrada preocupa, mas Raio X mostra brechas que Palmeiras pode explorar contra LDU
Análise: Michel Estrada preocupa, mas Raio X mostra brechas que Palmeiras pode explorar contra LDU (Foto: Reprodução)

A pressão agressiva do técnico Álvarez é o maior perigo para o Verdão, mas também esconde a brecha perfeita para o esquema tático de Abel ‘surfar’

A LDU chega ao encontro com o Palmeiras carregando uma característica que pode ser mais importante do que o seu temido trunfo com a famosa altitude de Quito. Há um detalhe fundamental nesta análise, pois o primeiro capítulo do confronto será disputado no Nubank Parque, em São Paulo. Portanto, entender como a equipe equatoriana se comporta em Quito é útil para conhecer suas características, mas não pode ser confundido com uma previsão automática do que acontecerá nesta quarta-feira (9).

O time de Gustavo Álvarez chega ainda em processo de construção, depois da saída de Tiago Nunes, e vem alternando estruturas desde a mudança no comando. Nos confrontos recentes, existem comportamentos que se repetem e ajudam a entender onde está o perigo. A pressão sobre a saída adversária é um deles. Contra o Mirassol, no primeiro jogo das oitavas, disputado no Brasil, a equipe equatoriana conseguiu crescer justamente quando passou a incomodar a construção brasileira, recuperando bolas em zonas que permitiam acelerar o ataque.

Em São Paulo, a LDU não terá o mesmo ambiente que costuma encontrar em Quito. O fator casa será do Verdão, e a equipe equatoriana precisará lidar com um cenário no qual não contará com a altitude para potencializar seu jogo. Isso não elimina suas características táticas, evidentemente, mas muda o contexto em que elas serão testadas. A pressão sobre a saída, a capacidade de competir sem a bola e as transições continuam sendo elementos do adversário.

O mais interessante é que essa pressão não transforma automaticamente a LDU em uma equipe dominante com a bola. O time sabe competir em partidas nas quais não controla necessariamente a posse ou o território durante todo o tempo. Isso ficou evidente no confronto de volta contra o Mirassol, em Quito. Mesmo atuando em casa, a LDU teve dificuldades para impor seu jogo e viu o adversário controlar boa parte da partida, criando oportunidades suficientes para tornar a classificação equatoriana nos pênaltis uma história bem mais apertada do que o cenário poderia sugerir.

Pistas táticas importantes para Abel

Esse episódio em Quito serve, portanto, menos como modelo para o jogo desta quarta e mais como uma pista sobre aquilo que o Palmeiras pode explorar. Se o Mirassol conseguiu controlar a LDU mesmo fora de casa, o Paletra terá a oportunidade de tentar fazer isso diante de sua própria torcida. A questão será saber se Abel conseguirá transformar a superioridade territorial esperada pelo mando em controle real da partida, sem permitir que a pressão equatoriana provoque os erros que o Mirassol sofreu no primeiro encontro.

A chegada de Gustavo Álvarez acrescentou outra camada à equipe. O treinador argentino vem alternando sistemas desde que assumiu, passando por estruturas com três zagueiros e também pelo 4-2-3-1, que aparece como uma das formações mais recorrentes no período recente. Essa flexibilidade dificulta uma leitura baseada apenas na escalação inicial, porque a disposição dos jogadores pode mudar durante a partida. O Palestra precisará interpretar como eles se reorganizam.

De olho no ataque da LDU

No ataque, Michael Estrada aparece como uma peça particularmente interessante. O equatoriano soma 11 gols em 31 partidas na temporada e ganhou a preferência de Álvarez sobre Deyverson. Mais do que funcionar como um centroavante de referência, Estrada oferece mobilidade e capacidade para incomodar a defesa adversária. É justamente esse tipo de característica que pode ganhar importância caso o Verdão avance seus laterais e deixe espaços para a LDU atacar depois de uma recuperação.

Pelos lados, Yerlin Quiñónez também merece atenção. A característica destacada sobre o atacante é a capacidade de atuar aberto, oferecer amplitude e atacar espaços nas costas dos laterais. Isso cria uma combinação interessante com Estrada: enquanto o centroavante pode movimentar a última linha, os jogadores pelos lados procuram aproveitar os espaços que surgem quando a defesa se desloca. Para o Palmeiras, portanto, a perda da bola pode ser tão importante quanto a construção da própria jogada.

Existe, entretanto, uma vulnerabilidade que a partida contra o Mirassol deixou exposta e que pode interessar diretamente a Abel. A LDU também erra na saída. No jogo de volta das oitavas, Shaylon quase marcou justamente depois de uma falha defensiva equatoriana. O lance é importante porque mostra que a pressão da LDU não significa que sua própria construção esteja protegida contra uma abordagem agressiva.

Se o Verdão conseguir pressionar com coordenação, sem simplesmente correr atrás da bola, pode encontrar oportunidades semelhantes. É aí que o confronto começa a ficar taticamente interessante. A LDU pode tentar pressionar a saída palestrina, enquanto o Palmeiras pode tentar pressionar a saída dos equatorianos. A diferença estará na qualidade da resposta de cada equipe quando a primeira pressão for quebrada.

A casa Alviverde como trunfo e momento da LDU

No Nubank Parque, o Verdão terá o mando e poderá tentar empurrar o adversário para trás desde o início. Mas a LDU já mostrou que sabe sobreviver sem a bola e atacar quando encontra espaços. Por isso, Abel precisará construir um jogo que explore as fragilidades da equipe equatoriana sem oferecer a ela o cenário que mais lhe interessa. A LDU, portanto, chega menos como uma equipe pronta e mais como uma equipe perigosa em construção.

Álvarez ainda procura seu melhor desenho, mas já possui mecanismos capazes de incomodar com pressão sobre a saída, mobilidade de Estrada, profundidade pelos lados e capacidade de competir mesmo quando não domina territorialmente. Contudo, existe um caminho para neutralizar esse funcionamento. E talvez essa seja a informação mais valiosa para Abel. Em São Paulo, o Palmeiras terá o mando, a torcida e a possibilidade de controlar o território. O desafio será transformar essas vantagens em superioridade no campo sem entregar à LDU exatamente o tipo de erro que ela sabe transformar em perigo.

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