Análise: Palmeiras despenca no 2º turno do Brasileiro e só Corinthians de Carille foi campeão mesmo assim
Verdão tem apenas 44% de aproveitamento nas seis primeiras rodadas do returno e vê o Flamengo se aproximar perigosamente na briga pelo título brasileiro O P...
Verdão tem apenas 44% de aproveitamento nas seis primeiras rodadas do returno e vê o Flamengo se aproximar perigosamente na briga pelo título brasileiro
O Palmeiras chega à reta decisiva do Campeonato Brasileiro ainda na liderança, mas existe um número que deveria tirar o sono do torcedor: 44,4% de aproveitamento no segundo turno. Em seis partidas disputadas, o Verdão somou apenas oito dos 18 pontos possíveis. E, se a equipe de Abel Ferreira não mudar rapidamente essa trajetória, a história mostra que o título ficará cada vez mais distante.
A situação é ainda mais preocupante porque o Palmeiras não está brigando contra qualquer adversário. O Flamengo, principal concorrente pela taça, já encostou na tabela e soma 51 pontos, apenas um atrás do Alviverde. O Rubro-Negro conquistou 11 pontos nas seis primeiras rodadas do returno, desempenho superior a 61%.
Ou seja: enquanto o Palmeiras perdeu velocidade, o Flamengo acelerou. E é justamente essa diferença de rendimento que explica por que uma vantagem que chegou a ser de quatro pontos no fim do primeiro turno hoje se transformou em apenas um.
Palmeiras de agora não é o do primeiro turno
A queda é inegável. Nos primeiros 19 jogos do campeonato, o Palmeiras somou 44 pontos, com aproveitamento superior a 77%. Era uma campanha de candidato ao título, com margem para administrar tropeços e controlar os concorrentes.
No returno, porém, a história mudou. São somente oito pontos em seis partidas. O aproveitamento de 44,4% coloca o Palmeiras apenas na 8ª posição entre os 20 clubes da Série A na segunda metade do campeonato.
E aqui está o principal problema: não estamos falando apenas de uma oscilação pontual. O Palmeiras já disputou seis rodadas do returno. Restam 13. Se o desempenho continuar nesse ritmo, o time de Abel terá dificuldades enormes para sustentar a liderança.
Corinthians de Carille é o único precedente que anima
Existe, sim, uma exceção que pode dar algum alento ao torcedor palmeirense. O Corinthians de Fábio Carille foi campeão brasileiro em 2017 mesmo tendo um segundo turno muito abaixo do desempenho apresentado na primeira metade da competição. O Timão terminou o returno com 25 pontos em 19 jogos, equivalente a 43,86% de aproveitamento.
A campanha daquele Corinthians foi sustentada por uma gordura gigantesca construída no primeiro turno. Foram 47 pontos nos primeiros 19 jogos (aproveitamento superior a 82%), em uma campanha invicta que entrou para a história dos pontos corridos.
Em 2017, Corinthians de Fábio Carille conseguiu conquistar o título brasileiro mesmo com 2º turno ruim – Foto: IMAGO / FotoarenaVida real como ela é: Palmeiras não tem mais margem ao Flamengo
É exatamente aí que está a diferença para o Palmeiras de 2026. O Verdão também fez um primeiro turno excelente. Mas não abriu uma vantagem suficientemente grande para se permitir uma queda tão brusca de rendimento. O Flamengo está a apenas um ponto. E isso muda tudo.
Aqui entra a análise que talvez seja mais importante do que qualquer projeção matemática: o Palmeiras não pode contar com a exceção histórica do Corinthians de 2017 para ser campeão em 2026.
Aquela equipe conseguiu sobreviver ao próprio declínio porque havia construído uma vantagem extraordinária. O Palmeiras também construiu uma boa gordura, mas viu o Flamengo diminuir essa diferença rapidamente.
E existe outro agravante. Abel Ferreira ainda terá que dividir sua atenção entre três competições. O Palmeiras está envolvido na Libertadores e também terá pela frente as semifinais da Copa do Brasil, enquanto o Flamengo concentra suas forças no Campeonato Brasileiro e na Libertadores.
Elenco também é um problema
Na prática, isso significa que o Verdão terá menos margem para errar. E não é apenas uma questão de tabela. Basta olhar para os últimos jogos do Palmeiras para perceber que Abel Ferreira vem trabalhando com um elenco pressionado fisicamente e afetado por lesões.
Gustavo Gómez, Alexander Barboza, Piquerez e Jhon Arias já estão novamente à disposição, mas o departamento médico ainda tem nomes importantes, como Ramón Sosa, Jefté e Paulinho. E isso pesa ainda mais quando se compara a profundidade dos dois elencos.
O Flamengo possui alternativas de alto nível para diferentes posições e, neste momento da temporada, terá uma competição a menos para administrar. O Palmeiras, por outro lado, precisa encontrar soluções para sobreviver a uma maratona que ainda terá Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil.
Não existe fórmula mágica. Abel terá que dosar o elenco, recuperar jogadores e, principalmente, fazer o time voltar a pontuar como um candidato ao título.
Próximos três jogos podem definir o rumo
Até a próxima Data Fifa, o Palmeiras terá três compromissos pelo Campeonato Brasileiro que podem dizer muito sobre o futuro da disputa.
Primeiro, o Botafogo, neste domingo (6), no Nilton Santos. Depois, o São Paulo, no dia 12, no Nubank Parque. Por fim, o Grêmio, em Porto Alegre, no dia 20. É uma sequência que não permite relaxamento.
Apesar de todos os alertas, existe uma verdade que não pode ser ignorada: o Palmeiras ainda é líder. O time de Abel Ferreira tem 52 pontos e está um à frente do Flamengo. Portanto, a situação ainda está completamente sob controle do próprio Verdão. O problema é que o futebol não vive de passado.
Os 44 pontos do primeiro turno não serão suficientes se o Palmeiras continuar desperdiçando pontos agora. A gordura construída anteriormente está praticamente consumida, e o Flamengo já está respirando no cangote.
A história mostra que é possível ser campeão com um returno de 44%. Mas a própria história mostra que isso é exceção, não regra. E o Palmeiras não pode montar seu planejamento contando com exceções.