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Aquino diz que não é contra a SAF e abre exceção: associação como dona do Inter

Candidato à presidência, Aquino condiciona SAF a cláusulas de desempenho e aporte mínimo e vê saída para parcelar dívidas cíveis do Inter. Leonardo Aqu...

Aquino diz que não é contra a SAF e abre exceção: associação como dona do Inter
Aquino diz que não é contra a SAF e abre exceção: associação como dona do Inter (Foto: Reprodução)

Candidato à presidência, Aquino condiciona SAF a cláusulas de desempenho e aporte mínimo e vê saída para parcelar dívidas cíveis do Inter.

Leonardo Aquino, candidato à presidência do Internacional, disse que não é contra a SAF, mas colocou condições para o modelo e abriu uma exceção: a SAF em que a associação continua dona do clube. A posição foi apresentada na sabatina do Grupo RBS na noite de quinta-feira (22), uma entrevista de uma hora e meia com jornalistas, que também tratou de finanças, futebol masculino e feminino, base, governança e infraestrutura.

O que Aquino disse sobre a SAF

Questionado sobre recuperação judicial e SAF, Aquino afirmou que o ponto central são as garantias. “Não é que eu seja contra SAF. É que você tem que ver cláusulas de desempenho esportivo, cláusulas de aporte mínimo no futebol”, respondeu. Sobre a recuperação judicial, ele alertou que o clube precisa chegar a ela com um aporte garantido para cumprir o plano, porque, sem isso, o caminho é a falência.

A exceção veio na sequência da resposta. Aquino explicou que é possível constituir uma SAF na qual a associação fique dona. Nesse desenho, segundo ele, o clube reduz a carga tributária, mantém a associação como proprietária e consegue aderir ao regime centralizado de execuções (RCE). As dívidas cíveis só podem ser parceladas por esse regime se o clube for SAF, enquanto as trabalhistas já podem entrar no RCE.

Na análise, a resposta separa dois debates. De um lado, a venda do futebol a um investidor, que Aquino condiciona a cláusulas de desempenho e aporte mínimo. De outro, a SAF como ferramenta para reestruturar as dívidas, com a associação no controle. O candidato não rejeita a sigla, mas deixa claro que a modelagem decide se ela serve ao Inter ou se vira um risco maior.

A dívida de R$ 1 bilhão e a conta dos fundos

A pergunta que abriu a sabatina partiu de uma dívida de cerca de R$ 1 bilhão. Aquino classificou a situação financeira como gravíssima e disse que ela não será resolvida da noite para o dia. Como a dívida de curto prazo é alta, a consequência são atrasos em salários e direitos de imagem, e a proposta é aliviar esse caixa com fundos de investimento que exijam regras de governança para pagar passivos, com juros atrativos e prazos longos.

Outra ideia citada foi desenhar, em parceria com uma instituição financeira, um produto como o título de capitalização, voltado a investidores e torcedores. O valor retido liberaria crédito para o clube pagar passivos, sem ser usado no futebol. Sobre o fundo de R$ 200 milhões discutido no Inter, Aquino disse que o problema era a incerteza sobre a taxa de juros e a exigência de alienação fiduciária do Beira-Rio, o maior patrimônio do clube.

Segundo ele, dar o estádio como garantia só seria cogitável se a dívida fosse completamente zerada, e ainda assim com ressalvas. Aquino também lembrou que não havia obrigatoriedade formal sobre o destino do dinheiro e citou o aporte da Liga Forte como exemplo: em vez de abater passivos, o clube contratou atletas caros e, depois de quase ganhar a Libertadores, viveu anos de salários atrasados e luta contra o rebaixamento.

Futebol: contratar menos e vender melhor

No futebol, a política será focada em atletas com potencial de revenda, a exemplo do Brighton e do Ajax. Aquino disse que não fará investimentos altos em jogadores de idade mais avançada, porque a tendência é de não haver retorno financeiro. Ele anunciou que contratará um diretor de inteligência esportiva, cujo nome já está acertado e será divulgado só no segundo turno, para não criar atrito no ambiente atual.

O organograma proposto tem três pilares. O diretor de inteligência esportiva cuidará de janelas e de vendas estratégicas. Ao lado dele, haverá um diretor técnico, responsável por validar a comissão técnica e a transição da base, em papel similar ao exercido por Abel Braga, e um diretor de futebol, focado na gestão operacional diária. Como o clube é fiscalizado pela ANRESF por acordos na CNRD, não poderá gastar no mercado mais do que arrecadar com vendas.

Na base, Aquino prometeu destinar 10% do orçamento, patamar que amplia o mínimo anterior de 4%, com foco na captação de atletas sub-17 e sub-20. Ele disse que o custo do futebol profissional é o que menos deve sofrer cortes, para não comprometer a competitividade, mas defendeu rigor nas demais áreas e citou Eduardo Bandeira de Mello, para quem é preciso coragem para “cortar na carne” e reequilibrar as contas.

O cenário da eleição

Aquino disputa a presidência com José Amarante e Roberto Melo e busca suceder Alessandro Barcellos, que não pode tentar a reeleição por causa de uma regra do estatuto. O primeiro turno, que reúne apenas os conselheiros, será em 9 de novembro. Se ninguém atingir 85% dos votos, os dois mais votados disputam o segundo turno em 12 de dezembro, dez dias depois do fim do Brasileirão, com os associados.

O próximo presidente assume um Inter que precisa equilibrar as contas e, ao mesmo tempo, montar o elenco de 2027. Em campo, o Colorado é o 17º colocado do Brasileirão, com 32 pontos, e enfrenta o Botafogo neste sábado (24), às 16h30, no Beira-Rio, em um jogo que mexe com a briga contra o rebaixamento.

Na análise, a sabatina mostra que a SAF deve ser um dos eixos do debate até o segundo turno, mas Aquino não a transformou em bandeira nem em tabu. O candidato condicionou o modelo a regras claras de desempenho e aporte e reservou a ele a hipótese em que a associação mantém o controle, uma posição que o diferencia da simples adesão ou da rejeição direta ao formato.