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Borré no Internacional: trajetória, cobrança por gols e o peso de ser o homem-gol do Beira-Rio

Trajetória em Foco – Matérias especiais sobre os protagonistas do futebol. Veja como Borré chegou ao Internacional, por que seu desempenho é tão debatido...

Borré no Internacional: trajetória, cobrança por gols e o peso de ser o homem-gol do Beira-Rio
Borré no Internacional: trajetória, cobrança por gols e o peso de ser o homem-gol do Beira-Rio (Foto: Reprodução)

Trajetória em Foco – Matérias especiais sobre os protagonistas do futebol. Veja como Borré chegou ao Internacional, por que seu desempenho é tão debatido e o que explica a relação entre entrega e gols.

Quem é Borré e por que sua passagem pelo Inter ainda gera debate?

Rafael Borré é um atacante colombiano de 30 anos que carrega consigo um rótulo pesado no futebol sul-americano: o de homem-gol. Desde que chegou ao Internacional, em 2024, o camisa 19 passou a ser uma das figuras mais debatidas entre torcida, imprensa e bastidores do Beira-Rio. Não apenas pelos gols, mas pelo que ele representa dentro de campo.

Tecnicamente, Borré foge do estereótipo do centroavante estático. Com 1,74m de altura, ele compensa a estatura média com mobilidade, intensidade e leitura de jogo. É um atacante que se movimenta constantemente, sai da área, participa da construção ofensiva e se entrega na pressão defensiva, algo cada vez mais valorizado no futebol moderno.

Mesmo assim, sua passagem pelo Inter ainda gera discussões. Parte da torcida entende sua importância tática, enquanto outra cobra números mais expressivos. A inconstância em determinados períodos alimentou o debate e manteve o colombiano sempre sob observação, especialmente por ocupar uma das posições mais cobradas do futebol.

Borré comemorando gol pelo Inter. Foto: Jota Erre/AGIF

Qual foi a trajetória de Borré antes de chegar ao Internacional?

A carreira de Rafael Borré começou oficialmente em 2013, quando foi revelado pelo Deportivo Cali, da Colômbia. Ainda jovem, chamou atenção pelo faro de gol e pela intensidade, o que rapidamente o colocou no radar do futebol europeu.

O primeiro grande salto aconteceu com sua contratação pelo Atlético de Madrid. No entanto, o colombiano nunca chegou a atuar oficialmente pela equipe espanhola, sendo repassado por empréstimo ao Villarreal, onde teve uma passagem discreta e sem grande destaque.

Foi apenas em 2017, ao chegar ao River Plate, que Borré viveu o auge de sua carreira. Sob o comando de Marcelo Gallardo, o atacante se tornou peça-chave de um dos períodos mais vitoriosos da história recente do clube argentino. Participou de títulos importantes, incluindo a Copa Libertadores de 2018, sendo lembrado não apenas pelos gols, mas pela entrega e intensidade.

Após o sucesso na Argentina, Borré retornou à Europa e acumulou experiência no futebol alemão, com passagens por Eintracht Frankfurt e Werder Bremen. Mesmo sem repetir o brilho do River, ganhou bagagem internacional, amadureceu como jogador e chegou ao Brasil com um currículo que naturalmente inflou expectativas.

Como foi a chegada de Rafael Borré ao Beira-Rio?

O Internacional anunciou a contratação de Borré no início de janeiro de 2024, em uma negociação que movimentou cerca de 6,2 milhões de euros, aproximadamente R$ 33,8 milhões na cotação da época. O valor, elevado para os padrões do clube, colocou o colombiano como a segunda maior contratação da história colorada naquele momento.

O investimento não apenas aumentou a expectativa, como também deixou claro o papel que Borré teria no elenco. Ele chegou para ser o homem-gol, a referência ofensiva e a resposta a uma lacuna que o Inter vinha sofrendo havia temporadas: a falta de um centroavante confiável e decisivo.

Desde o primeiro jogo, ficou evidente que a cobrança seria proporcional ao valor investido. Cada gol perdido, cada jejum, cada atuação apagada ganhava destaque. No Beira-Rio, Borré não era apenas mais um reforço, era uma aposta de peso.

Qual estilo de jogo de Borré?

Dentro de campo, Rafael Borré se diferencia pelo comportamento. Ele não é o típico camisa 9 que vive dentro da área esperando a bola chegar. Pelo contrário: se movimenta constantemente, busca jogo fora da área, abre espaços para os pontas e dialoga com os meias.

Outro ponto forte é a pressão na saída de bola adversária. Borré corre, incomoda zagueiros, força erros e ajuda a equipe a recuperar a posse em zonas altas do campo. Em muitos jogos, sua importância aparece mais nas ações sem bola do que propriamente nas finalizações.

Essa característica, porém, gera um dilema. Enquanto técnicos valorizam esse tipo de entrega coletiva, parte da torcida ainda enxerga o centroavante como alguém que precisa, acima de tudo, marcar gols. E é justamente aí que nasce a divisão de opiniões.

(Foto: Reprodução)
Borré em Inter x Ceará em 2025. Foto: Cristiano Junior/AGIF

Como está o desempenho de Borré no Internacional?

De acordo com dados do Transfermarkt, Borré soma 81 jogos, 24 gols e oito assistências com a camisa do Internacional. São números sólidos, que indicam participação direta em gols, mas que não chegam a impressionar quando comparados às expectativas criadas no momento da contratação.

Em alguns períodos, o colombiano acumulou jejuns de gols, passando jogos sem balançar as redes. Em partidas decisivas, houve momentos em que não conseguiu ser determinante, o que aumentou a pressão e alimentou críticas.

A leitura fria mostra um atacante participativo, mas também expõe limitações: finalizações irregulares, dificuldade em jogos muito fechados e oscilações de confiança. Nada fora do comum para um centroavante moderno, mas suficientes para manter o debate aceso.

Por que Borré divide opiniões no Internacional?

A divisão entre os torcedores do Inter passa por expectativa e memória. Parte da torcida cobra mais gols por enxergar em Borré um jogador experiente, com passagem pela Seleção Colombiana, sucesso no River Plate e vivência europeia. Para esses, o camisa 19 precisa decidir jogos grandes com mais frequência.

Outra parte valoriza o lado invisível do jogo: a entrega, a raça, a liderança e o comprometimento. Mesmo em fases ruins, Borré nunca deixou de lutar, correr e se doar, algo que pesa positivamente para quem analisa o coletivo.

Em um ano turbulento para o Internacional, marcado por oscilações e instabilidade, o colombiano acabou simbolizando esse dilema: nem sempre decisivo nos números, mas constantemente relevante no funcionamento da equipe.

O que disse Borré sobre o momento difícil do Inter em 2025?

Após um período difícil em 2025, Borré quebrou o silêncio e falou sobre o momento vivido no clube na temporada passada. Em declaração após partida do Gauchão 2026, o atacante reconheceu o ambiente pesado e a necessidade de virar a página.

“No CT, o ambiente não era o melhor e, bom, fechamos um pouco esse ciclo, isso que passamos.”, afirmou o colombiano, em tom sincero. A fala mostrou consciência do momento e reforçou a ideia de que a crise não era individual, mas coletiva.

O que esperar do futuro e legado de Rafael Borré no Internacional?

Em 2026, o cenário parece diferente. Borré vive um início de temporada animador: são cinco jogos, cinco gols e uma assistência, números que reacendem a confiança da torcida e indicam que ele pode, enfim, viver sua melhor fase com a camisa colorada.

O gol marcado contra o Flamengo, no empate por 1 a 1 no Maracanã nesta quarta-feira (4), simboliza esse novo momento. Após passe de Carbonero, o atacante deixou Léo Ortiz no chão com um lindo corte e finalizou com categoria, em um lance que resume técnica, confiança e poder de decisão.

A expectativa da torcida é clara: que Borré seja o principal atacante do Inter em 2026, liderando o setor ofensivo e sendo decisivo em jogos grandes. O colombiano parece mais adaptado, confiante e protagonista.

Rafael Borré vive, hoje, o dilema do centroavante moderno: entrega intensidade, mobilidade e espírito coletivo, mas ainda carrega a eterna cobrança por gols. Em boa fase, o questionamento que fica no Beira-Rio é inevitável: 2026 será a melhor temporada de Borré no Internacional ou apenas um lampejo de início de ano?

(Foto: Reprodução)
Borré comemorando gol pelo Inter. Foto: Luis Felipe Amorin/AGIF