CBF nega afastamento de Daronco e VAR, e Palmeiras x Vasco expõe impasse nos bastidores
A reunião de mais de cinco horas terminou sem encerrar a controvérsia sobre a arbitragem. A negativa da CBF abriu outra frente de questionamentos antes da dec...
A reunião de mais de cinco horas terminou sem encerrar a controvérsia sobre a arbitragem. A negativa da CBF abriu outra frente de questionamentos antes da decisão
A arbitragem de Palmeiras e Vasco ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (4), mas não por causa de uma punição oficialmente confirmada. Um dia depois de uma reunião com representantes do clube carioca e da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) negou que tenha afastado Anderson Daronco e Rodrigo D’Alonso Ferreira, responsável pelo VAR no primeiro confronto da semifinal da Copa do Brasil.
A apuração publicada pelo ge, um dia antes da negativa da CBF, entretanto, aponta para uma contradição institucional. A própria entidade comunicou na terça-feira ao Vasco e à Ferj que os dois profissionais ficariam fora das escalas das próximas rodadas da Série A e da Copa do Brasil. Nesta quarta, depois da publicação, a entidade negou tanto o afastamento quanto ter transmitido esse aviso aos representantes dos clubes e da federação.
A diferença entre as versões não é um detalhe burocrático. Trata-se de uma questão que envolve a credibilidade da condução da arbitragem nacional. Se houve uma comunicação interna sobre a retirada dos profissionais de determinadas competições, a negativa pública exige esclarecimentos. Se a entidade sustenta que nada disso aconteceu, também precisa explicar o que foi discutido e encaminhado durante um encontro que durou mais de cinco horas.
A reunião ocorreu na sede da CBF, no Rio de Janeiro, após as reclamações do Vasco sobre a derrota por 1 a 0 para o Palestra, no jogo de ida da semifinal. O clube foi representado por Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral, acompanhado de Rubens Lopes e Leonardo Ferraz, presidente e vice-presidente da Ferj. Inicialmente, o grupo conversou com o presidente da CBF, Samir Xaud, e o diretor executivo Helder Melillo. Depois, houve uma reunião com Sandro Meira Ricci, presidente da Comissão de Arbitragem.
Reclamação do Vasco e posição oficial da CBF
Entre os episódios questionados pelo clube carioca estão o possível pênalti por toque de mão de Alexander Barboza, a expulsão de Saldivia e os critérios utilizados na distribuição dos cartões amarelos. O Vasco também teve acesso aos áudios do VAR referentes à partida. Segundo o ge, porém, o conteúdo não será divulgado publicamente, e o contato com as gravações aumentou o incômodo dos representantes vascaínos.
SCOPA DO BRASIL 2026, PALMEIRAS X VASCO – Jogadores do Vasco reclamam com a arbitragem durante partida contra o Palmeiras no Nubank Arena. Foto: Marcello Zambrana/AGIFAntes mesmo do encontro na sede da entidade, o diretor executivo vascaíno, Admar Lopes, havia classificado a atuação da arbitragem como “completamente vergonhosa” e afirmado que os lances poderiam ter decidido um dos finalistas. A manifestação traduz a insatisfação do Vasco, mas não encerra a discussão técnica sobre cada jogada.
Vale ressaltar que a avaliação dos episódios precisa considerar as regras e os limites de atuação do árbitro de vídeo, que não pode intervir em qualquer decisão de campo, como a aplicação de segundo cartão amarelo.
Do lado da CBF, a versão oficial é objetiva: Daronco e D’Alonso não foram afastados e continuam à disposição para futuras escalas, inclusive na Série A. A entidade informou que Daronco apitará Avaí x São Bernardo, pela Série B, no sábado, enquanto D’Alonso trabalhará em Al-Ain x Al-Wahda, pelo Campeonato Saudita, no domingo. A programação internacional, segundo a nota, já havia sido enviada anteriormente.
Palmeiras de olho no desenrolar da polêmica
Para o Palmeiras, o desdobramento merece atenção porque a discussão acontece a poucos dias da partida que definirá a vaga na final. O time de Abel Ferreira venceu o primeiro confronto por 1 a 0, no Nubank Parque, e agora terá de administrar a vantagem em São Januário. O ambiente em torno da arbitragem, portanto, passa a integrar o contexto de uma decisão que já carrega naturalmente pressão esportiva e institucional.
Quando uma entidade responsável por organizar e fiscalizar a arbitragem apresenta versões divergentes sobre uma possível medida envolvendo os profissionais de um jogo decisivo, a confiança no processo fica sob questionamento. E essa confiança interessa aos dois lados. A CBF tem responsabilidade de esclarecer o episódio com transparência, especialmente porque a discussão ultrapassou a avaliação de lances isolados.