Conselho Fiscal cobra explicações sobre R$ 2,4 milhões em cartões corporativos na gestão Barcellos
Órgão do Inter questionou a falta de transparência sobre despesas realizadas entre janeiro e maio e também recomendou avaliação formal O Conselho Fiscal ...
Órgão do Inter questionou a falta de transparência sobre despesas realizadas entre janeiro e maio e também recomendou avaliação formal
O Conselho Fiscal do Internacional encaminhou um ofício à diretoria colorada, no dia 20 de agosto, pedindo explicações sobre gastos realizados com cartões corporativos do clube. A apuração envolve despesas que ultrapassam a casa dos R$ 2 milhões entre janeiro e maio deste ano e coloca novamente a situação financeira da gestão de Alessandro Barcellos em debate, a informação foi trazida inicialmente pelo Correio do Povo.
De acordo com o documento, três cartões corporativos do Internacional movimentaram R$ 2,43 milhões entre os dias 1º de janeiro e 31 de maio. Entre os usuários dos cartões estão o presidente Alessandro Barcellos, o CEO Giovani Zanardo e um funcionário responsável pela logística da equipe colorada.
O principal questionamento do Conselho Fiscal não está necessariamente na existência das despesas, mas na falta de “transparência e prestação de contas” sobre os valores desembolsados. O órgão solicitou esclarecimentos formais da direção sobre a utilização dos cartões e os gastos registrados durante os cinco primeiros meses do ano.
Do valor total movimentado, aproximadamente R$ 1,4 milhão foi destinado a despesas de hospedagem. O documento também aponta R$ 539,9 mil gastos com alimentação em Porto Alegre, além de um pagamento de R$ 194,2 mil à CBF.
Inter defende utilização dos cartões
A direção do Internacional argumenta que a utilização de cartões corporativos para despesas dessa natureza é uma prática comum no futebol brasileiro, principalmente para custear viagens, hospedagens e outras necessidades operacionais do clube.
O Inter também sustenta que praticamente não existem gastos pessoais do presidente Alessandro Barcellos dentro dos valores questionados. Mesmo assim, o Conselho Fiscal entende que é necessário ampliar a transparência e detalhar a prestação de contas sobre os recursos utilizados pela gestão.
A cobrança acontece em meio ao crescimento do endividamento colorado. Segundo os dados apresentados pelo Conselho Fiscal, a dívida do Internacional alcançou R$ 925,6 milhões ao final de maio, aumentando a preocupação do órgão com o cenário financeiro do clube.
Conselho Fiscal cita recuperação judicial
Diante do quadro, o Conselho Fiscal recomendou que a direção avalie formalmente a possibilidade de pedir recuperação judicial como uma das alternativas para enfrentar o endividamento continuado do Internacional.
No documento, o órgão destaca que a recuperação judicial poderia suspender temporariamente cobranças e execuções, além de permitir uma renegociação estruturada do passivo. A recomendação, no entanto, não significa que o Inter irá obrigatoriamente adotar a medida.
A possibilidade já havia sido recomendada também em um estudo realizado pela Alvarez & Marsal. Alessandro Barcellos, porém, não concorda com a alternativa e a direção colorada busca outros caminhos para tentar equilibrar as contas do clube.
Além dos gastos com cartões e do crescimento da dívida, o Conselho Fiscal também apontou queda nas receitas de publicidade e marketing, além do aumento das obrigações trabalhistas. Os fatores contribuíram para a deterioração da situação financeira nos primeiros meses do ano.
Os apontamentos têm como base a auditoria das contas do Internacional referente aos cinco primeiros meses da temporada. A direção foi solicitada a apresentar uma resposta em até 15 dias, mas, até o último levantamento citado no documento, ainda não havia encaminhado uma manifestação formal ao Conselho Fiscal.