Do luxo à crise: 20 jogadores brasileiros que enfrentaram problemas financeiros
Relembre as histórias de jogadores que enfrentaram dificuldades após construírem carreiras de sucesso no futebol O futebol pode proporcionar grandes salári...
Relembre as histórias de jogadores que enfrentaram dificuldades após construírem carreiras de sucesso no futebol
O futebol pode proporcionar grandes salários e transformar jogadores em milionários, mas nem sempre o sucesso dentro de campo garante estabilidade financeira para o resto da vida. Ao longo dos anos, alguns craques brasileiros passaram por dificuldades econômicas mesmo depois de construírem carreiras de destaque.
Em alguns casos, os problemas foram provocados por investimentos malsucedidos, dívidas e decisões que comprometeram o patrimônio acumulado durante os anos de carreira. Outros atletas enfrentaram questões judiciais ou perderam parte significativa dos recursos que conquistaram no futebol.
Entre os 20 nomes desta lista, há histórias de jogadores que conseguiram se reerguer após momentos difíceis e também daqueles que não tiveram o mesmo desfecho. São trajetórias que mostram como a vida financeira de um atleta pode mudar completamente depois da aposentadoria.
20 – Jucilei
Foto: Marcello Zambrana/AGIFJucilei, ex-volante de Corinthians, São Paulo e seleção brasileira, foi vítima de um esquema de criptomoedas e teve um prejuízo estimado em R$ 45 milhões. Segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, a fraude funcionava como uma pirâmide financeira e causou perdas de cerca de US$ 50 milhões. O esquema era ligado a Salvador Molina, suposto CEO da Forcount, empresa que não existia.
O ex-jogador está entre mais de 15 mil brasileiros lesados pelo esquema de Francisley Valdevino da Silva, o “Sheik dos Bitcoins”. Autoridades tentam rastrear bens dos envolvidos para ressarcir as vítimas. Aos 38 anos, Jucilei encerrou a carreira após atuar por Boavista-RJ e Atlético Carioca, além de clubes como Anzhi, Shandong Luneng e Al Jazira.
19 – Gilmar Fubá

Campeão mundial pelo Corinthians em 2000, Gilmar Fubá enfrentou dificuldades financeiras após deixar o futebol. O ex-zagueiro admitiu que gastou muito dinheiro e ficou conhecido pela história de quando comprou uma BMW ao ver uma grande quantia em sua conta. Carismático, suas entrevistas também viralizaram nas redes sociais.
Diagnosticado com câncer de medula óssea, Gilmar recebeu apoio de amigos e ex-companheiros, que arrecadaram cerca de R$ 1 milhão para ajudar no tratamento e a família. Mesmo debilitado, manteve o bom humor até morrer, em 2021. Depois, o Corinthians também assumiu os cuidados do jazigo do ex-jogador.
18 – Perivaldo

O lateral-direito Perivaldo marcou época no futebol brasileiro por sua vocação ofensiva, velocidade e cruzamentos precisos, brilhando no Botafogo e vestindo as camisas de São Paulo, Palmeiras e Seleção Brasileira. Após uma passagem pela Coreia do Sul, encerrou a carreira e mudou-se para Portugal. Longe do futebol, a má administração dos ganhos e empréstimos mal sucedidos o levaram à falência, fazendo com que vivesse como morador de rua em Lisboa, sobrevivendo de bicos e do comércio informal.
A situação mudou quando sua história foi exposta em uma reportagem de TV, mobilizando o Sindicato dos Atletas de Futebol do Rio de Janeiro (SAFERJ) a articular seu retorno ao Brasil. Perivaldo ganhou um emprego na instituição e passou a orientar jovens jogadores com base em suas experiências. A fase de reabilitação, porém, foi interrompida poucos anos depois: ele morreu em julho de 2017, aos 64 anos, vítima de uma pneumonia grave em um hospital na Zona Norte do Rio de Janeiro.
17- Felix

O goleiro Félix, titular da histórica Seleção Brasileira de 1970, encerrou sua vitoriosa carreira no Fluminense no início de 1976 devido a uma calcificação no ombro. Após pendurar as luvas, trabalhou brevemente como treinador, mas não obteve o mesmo sucesso. Diante de investimentos malsucedidos na iniciativa privada e salários menores do que os praticados hoje em dia, o ex-atleta passou a enfrentar sérias dificuldades financeiras.
Félix faleceu em agosto de 2012, aos 74 anos, em São Paulo, devido a complicações de um enfisema pulmonar. Até seus últimos dias de vida, ele lutou pelo reconhecimento dos campeões do passado, cobrando apoio financeiro da CBF para os atletas veteranos. Atualmente, o legado do goleiro segue vivo na memória dos torcedores e voltou a ser homenageado em produções de plataformas de streaming que relembram sua importância na Copa do Mundo do México.
16 – Índio

O ex-lateral-direito Índio, nascido na aldeia Xucuru-Kariri, marcou história no Corinthians ao conquistar o bicampeonato brasileiro (1998/1999) e o Mundial de 2000. Apesar do sucesso em campo, ele não alcançou estabilidade financeira na época e revelou mágoas com os baixos salários recebidos no clube e com os golpes que sofreu de antigos empresários.
Atualmente, Índio vive de forma simples em sua aldeia em Caldas, Minas Gerais, onde atua como professor voluntário de futebol para dezenas de crianças indígenas. Recentemente, seu legado de superação e idolatria foi consagrado pelo Timão, que eternizou seus pés na Calçada da Fama do Memorial do Corinthians.
15 – Ronaldinho Gaúcho

Mesmo sendo um dos jogadores mais bem remunerados do futebol moderno, Ronaldinho Gaúcho enfrentou problemas financeiros após a aposentadoria. O ex-craque teve o nome envolvido em multas ambientais e bloqueios judiciais que atingiram dezenas de imóveis de sua propriedade.
Os problemas jurídicos, somados a uma gestão de negócios considerada ineficiente, geraram uma forte pressão financeira. O caso mostra como questões legais e empresariais podem comprometer o patrimônio de um atleta, mesmo após uma carreira marcada por grandes ganhos.
14 – Edilson “Capetinha”

O ex-atacante Edílson teve uma carreira marcada por conquistas, mas também se envolveu em polêmicas jurídicas. Seu nome esteve ligado a prisões por falta de pagamento de pensão alimentícia e a investigações por supostos desvios em loterias. Os episódios afetaram diretamente seu patrimônio e sua trajetória financeira.
A história de Edílson mostra como problemas judiciais e decisões financeiras podem comprometer a situação econômica de um ex-atleta. O envolvimento em negócios controversos e dificuldades para cumprir obrigações também marcaram uma fase turbulenta após o fim de sua carreira nos gramados.
13 – Régis Pitbull

O veloz atacante Régis Pitbull marcou época no futebol brasileiro com passagens por grandes clubes como Ponte Preta, Corinthians e Vasco da Gama, acumulando fama e patrimônio ao longo das décadas de 1990 e 2000. Infelizmente, a grave dependência química de crack arruinou sua carreira esportiva e consumiu todos os seus recursos financeiros. Embora tenha tentado processos de reabilitação e conseguido empregos informais em anos anteriores, as tentativas de recuperação foram temporárias.
Régis ainda não está livre das drogas. Atualmente, aos 49 anos, ele enfrenta o momento mais dramático de sua vida ao viver em situação de rua sob lonas e papelões em uma praça de Pirituba, na Zona Norte de São Paulo. Ele acabou perdendo o direito de morar em seu apartamento após ser preso por agredir o síndico do condomínio, e hoje conta com o apoio de comerciantes e moradores locais para se alimentar enquanto resiste a novas tentativas de internação.
12 – Washington

O centroavante Washington, do lendário ataque “Casal 20” do Fluminense, foi campeão brasileiro em 1984. Anos após se aposentar, enfrentou uma severa crise financeira devido aos custos altíssimos do tratamento da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Para apoiá-lo, o Tricolor e a torcida organizaram o “Washington Day” em 2009, recebendo também uma generosa doação de R$ 50 mil feita por Zico no Jogo das Estrelas.
Infelizmente, Washington faleceu em maio de 2014, aos 54 anos, em sua residência em Curitiba. O legado do craque segue eternizado com um busto nas Laranjeiras, e a batalha pública de sua família serve até hoje como uma das principais referências nacionais para campanhas de conscientização sobre a ELA.
11 – Muller

O atacante Müller, tetracampeão mundial em 1994 e ídolo eterno do São Paulo, faturou milhões jogando pelos quatro grandes clubes paulistas e no exterior. A ausência de planejamento aliada a gastos impulsivos com ostentação e amigos de ocasião o levou a perder imóveis e dezenas de automóveis, chegando a morar temporariamente de favor no apartamento do ex-lateral Pavão. Ele já esclareceu, contudo, que nunca esteve na miséria extrema e que o episódio com o amigo serviu como recomeço.
Seu retorno ao mercado através da comunicação foi muito bem-sucedido. Após se destacar por anos como um comentarista contundente no tradicional programa “Mesa Redonda” da TV Gazeta, sua carreira na mídia ganhou ainda mais força com a sua contratação oficial pela Record TV. Atualmente, Müller desfruta de uma vida financeira reorganizada e de grande repercussão nacional por suas análises e opiniões polêmicas na televisão aberta.
10 – Macedo

O ex-atacante Macedo, o “Talismã de Telê Santana”, marcou época no São Paulo ao conquistar o bicampeonato da Libertadores e do Mundial (1992/1993), além de ter jogado por Santos, Vasco, Cruzeiro e Grêmio. Assim como Müller, ele gastou grande parte dos cerca de R$ 13 milhões que faturou com carros e noitadas, além de perder dinheiro em investimentos imobiliários ruins e em um divórcio. Na fase pós-carreira, enfrentou sérias crises financeiras e recorreu a campeonatos amadores e jogos de várzea para conseguir renda.
Atualmente, aos 56 anos, Macedo vive de forma bem mais tranquila e reservada em Americana (SP), sua cidade natal. Ele reorganizou sua vida longe da miséria e hoje atua no gerenciamento da carreira do seu filho, Lucas Macedo, atacante contratado pelo São Bento. O ex-jogador também mantém forte presença digital e participa com frequência de eventos de veteranos e entrevistas relembrando suas glórias no futebol.
9 – Ezequiel

O ex-volante Ezequiel Ataliba marcou época no Corinthians na década de 1990, conquistando títulos expressivos como o Brasileirão de 1990 e a Copa do Brasil de 1995. Fora de campo, a vida boêmia e as despesas com sete filhos, incluindo pensões de relacionamentos fora do casamento, comprometeram severamente o seu patrimônio. Para se sustentar após o futebol, ele trabalhou por anos com a venda e entrega de medicamentos em uma empresa de remédios em Campinas (SP).
Atualmente, aos 64 anos, Ezequiel vive de forma tranquila em Campinas e complementa sua renda dando aulas de futebol na escolinha do ex-centroavante Chicão, seu antigo companheiro de Ponte Preta (e não do Corinthians). Apesar de ter enfrentado grandes dificuldades financeiras no passado, o ex-atleta estabilizou sua rotina com o apoio da família e foca no desejo de retornar ao futebol profissional para atuar como treinador.
8 – Aílton

O atacante Aílton, o “Kugelblitz”, foi campeão e artilheiro da Bundesliga (2003/2004) pelo Werder Bremen. Gastos extravagantes com carros e cavalos de raça o levaram a crises financeiras, fazendo com que o clube alemão organizasse um jogo de despedida em 2014 para ajudá-lo a quitar dívidas. Ele também participou de um reality show na TV alemã em busca de renda extra.
Atualmente, Aílton superou a falência e reorganizou suas finanças. Dividindo sua rotina entre a Alemanha e o Brasil, ele atua como embaixador oficial do Werder Bremen, além de estrelar comerciais na Europa e participar de programas esportivos, recuperando o prestígio e o patrimônio.
7 – Cafu

Capitão da Seleção Brasileira na conquista do pentacampeonato em 2002, Cafu enfrentou graves problemas financeiros decorrentes de empréstimos mal sucedidos e de sua atuação como garantidor de dívidas de terceiros. Esse desequilíbrio no orçamento impactou diretamente seus projetos sociais, fazendo com que a Fundação Cafu, criada há mais de 15 anos, sofresse com a falta crônica de recursos e encerrasse suas atividades por não conseguir mais se sustentar de forma independente.
Nos últimos anos, o ex-lateral teve cerca de 15 imóveis bloqueados pela Justiça e viu sua famosa mansão em Alphaville ser leiloada para quitar débitos milionários que ultrapassavam a marca de R$ 11 milhões. Diante do cenário de execuções judiciais e perda de patrimônio, o ex-jogador declarou publicamente que pretendia utilizar seus próprios bens para honrar todos os compromissos e regularizar sua situação financeira.
6 – Lê

O ex-meia Lê viveu o extremo contraste do futebol, passando da glória do título da Mercosul de 1999 pelo Flamengo para a falência anos mais tarde. Prejudicado por salários baixos, lesões precoces e calotes prolongados do próprio clube, ele enfrentou uma grave crise financeira. No momento mais dramático, o ex-atleta precisou leiloar suas chuteiras e vender camisas históricas na rua para garantir o sustento da família e comprar itens básicos, como fraldas para sua filha.
Hoje, Lê deu a volta por cima e reconstruiu sua estabilidade. Afastado do sufoco do passado, ele se mantém conectado ao clube na equipe Master de Fut 7 do Flamengo e trabalha como secretário parlamentar de Eduardo Bandeira de Mello, o ex-presidente que sanou as finanças do Rubro-Negro e quitou as dívidas com o ex-jogador. Com muita resiliência, ele superou a escassez e hoje desfruta de uma vida digna e estruturada.
5 – Jorge Preá

O ex-atacante Jorge Preá viveu uma mudança radical, passando do título do Paulista de 2008 pelo Palmeiras para o trabalho pesado na limpeza urbana. Sem estabilidade financeira após rodar por clubes menores e sofrer lesões, ele enfrentou graves dificuldades econômicas. Demonstrando enorme dignidade, trabalhou por seis meses desentupindo bueiros e galerias em São Paulo para sustentar seus cinco filhos, enquanto jogava na várzea para complementar a renda.
Hoje, Preá reestruturou sua rotina e mantém uma vida digna trabalhando como entregador de mercadorias no Mercado da Lapa. Ele concilia o emprego com o esporte, atuando como treinador no futebol amador e dando aulas em uma escolinha. Muito orgulhoso de sua trajetória, especialmente por ter realizado o sonho de comprar uma casa para a mãe, o ex-atleta superou a fase mais crítica com honestidade e resiliência.
4 – Cicinho

O ex-lateral Cicinho enfrentou o lado sombrio do sucesso, vendo o auge de sua carreira no Real Madrid e na Seleção Brasileira ser ofuscado pelo alcoolismo e pela depressão. O consumo desenfreado de bebida começou como uma fuga e evoluiu para uma dependência severa que comprometeu sua motivação e seu patrimônio financeiro. Em alguns de seus relatos, ele descreveu a dor do isolamento e o desespero de buscar bitucas de cigarro no condomínio para fumar, além de precisar beber até cair para conseguir dormir.
Hoje, Cicinho superou os vícios e reconstruiu completamente sua vida. Após se afastar dos gramados, ele encontrou apoio na família e na religião, tornando-se palestrante para alertar jovens atletas sobre os perigos das armadilhas extracampo. Financeiramente estabilizado, ele administra um centro esportivo em Goiás e consolidou uma nova carreira na comunicação, atuando com grande sucesso como comentarista esportivo de televisão.
3 -Valdiram

O ex-atacante Valdiram viveu uma das trajetórias mais trágicas do futebol brasileiro, onde o brilho no Vasco em 2006 foi sufocado pela dependência química. Sua carreira ruiu rapidamente devido ao vício avassalador em crack e álcool, fazendo-o rodar sem sucesso por dezenas de clubes. A dependência dilapidou todo o seu dinheiro e o afastou da família, levando-o a cometer furtos até contra companheiros de equipe no auge do desespero.
Infelizmente, Valdiram não conseguiu se recuperar e teve um desfecho devastador. Após anos alternando entre clínicas de reabilitação e recaídas, o ex-jogador passou a viver em situação de rua em São Paulo. Em abril de 2019, aos 36 anos, sua vida foi interrompida de forma violenta ao ser espancado até a morte na Zona Norte da capital paulista, deixando um doloroso alerta sobre o impacto dos vícios.
2 – Amaral

Após perder uma fortuna na Europa com a falência da Fiorentina e enfrentar um divórcio que reduziu drasticamente seu patrimônio, Amaral viveu momentos de extrema dificuldade financeira. Sem a renda dos tempos de auge e precisando honrar dívidas acumuladas, o ex-volante tomou a dolorosa decisão de vender todas as suas conquistas físicas, incluindo troféus e a medalha olímpica de bronze de 1996, para conseguir se reestruturar e recomeçar do zero.
Hoje, aos 53 anos, ele conseguiu dar a volta por cima e desfruta de uma vida financeira confortável e estável. Transformado em um verdadeiro fenômeno do entretenimento e das redes sociais, Amaral colhe os frutos de seu carisma por meio de campanhas publicitárias lucrativas, participações em realities e palestras motivacionais pelo Brasil, provando que soube se reinventar com sucesso fora dos gramados.
1 – Garrincha

O caso mais clássico de jogador que teve muito dinheiro e perdeu tudo foi o de Garrincha. O eterno ‘Anjo das Pernas Tortas’, ídolo incontestável do Botafogo e da Seleção Brasileira, perdeu sua fortuna de todas as formas possíveis, sendo enganado por dirigentes, explorado por empresários e consumido pelo alcoolismo.
Conhecido por sua vida boêmia indisciplinada, ele teve diversos relacionamentos extraconjugais e 14 filhos confirmados com seis mulheres diferentes, incluindo seu famoso e conturbado casamento com Elza Soares. Após a aposentadoria, o craque passou a depender cada vez mais do álcool. Em janeiro de 1983, Garrincha faleceu precocemente aos 49 anos devido a uma cirrose hepática, completamente esquecido pelo sistema do futebol, sem patrimônio e sobrevivendo apenas com a ajuda financeira de poucos amigos.