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Emily Lima projeta Dérbi na estreia e destaca avanço das mulheres no futebol

Nova técnica do Corinthians, Emily Lima estreia em Dérbi contra o Palmeiras pelo Brasileirão, fala sobre modelo de jogo e representatividade Anunciada como...

Emily Lima projeta Dérbi na estreia e destaca avanço das mulheres no futebol
Emily Lima projeta Dérbi na estreia e destaca avanço das mulheres no futebol (Foto: Reprodução)

Nova técnica do Corinthians, Emily Lima estreia em Dérbi contra o Palmeiras pelo Brasileirão, fala sobre modelo de jogo e representatividade

Anunciada como nova treinadora do Corinthians, Emily Lima iniciou oficialmente os trabalhos à frente das Brabas. O primeiro compromisso já será um Dérbi, no dia 13 de março, na Arena Barueri, pela terceira rodada do Brasileirão A1. A estreia em clássico adiciona peso ao início de trajetória no clube. O confronto coloca frente a frente Corinthians e Palmeiras em mais um capítulo da rivalidade. Para a treinadora, o foco está no fortalecimento interno.

Em sua apresentação, Emily ressaltou que o estudo do adversário é importante, mas sem perder a confiança no próprio elenco. “Foco muito no nosso trabalho e no nosso elenco. Estudaremos o Palmeiras para entender por que os últimos Dérbis não foram favoráveis, mas meu foco é potencializar as nossas jogadoras. Não sou de me desgastar excessivamente com o que o adversário faz; prefiro acreditar que as nossas atletas fazem melhor. Nosso papel é analisar o rival para dar ferramentas ao grupo, mas a confiança no nosso potencial é o que deve prevalecer”, afirmou. A comandante indicou equilíbrio entre análise e convicção. O discurso prioriza identidade e segurança.

Com pouco tempo até o clássico, a comissão técnica trabalha para alinhar aspectos táticos e emocionais. Emily explicou que a análise do rival fica concentrada nos bastidores, enquanto o elenco recebe suporte direto. A prioridade é transmitir tranquilidade em um jogo de alta exigência competitiva. O planejamento semanal busca dar clareza às atletas sobre funções e comportamentos em campo. A estratégia envolve organização e controle emocional.

Emily Lima. Foto: Divulgação/CBF

Reencontro e representatividade no banco

O Dérbi também marcará o reencontro com Rosana Augusto, adversária no clássico e antiga companheira dos tempos de atleta. Emily reconheceu o tamanho do desafio e projetou um duelo equilibrado. “Parece que sempre sou escolhida para os grandes desafios. É incrível: mal chego em um lugar e já me deparo com um Dérbi. Mas está tudo certo, já estamos acostumados com isso. No Corinthians, a pressão existe desde o momento da contratação. O segredo é focar em nós e estudar o que for possível do adversário. Conheço bem a Rosana; foi minha atleta e também jogamos juntas. Será um jogo bacana e um Dérbi de alto nível”, comentou. A rivalidade ganha contornos técnicos e históricos.

O clássico terá duas mulheres no comando das equipes, fato simbólico para o futebol brasileiro. Emily valorizou a representatividade no cenário atual. “É interessante, não havia pensado nisso até agora (risos). Estou tão focada no jogo que o fato de sermos duas mulheres no comando desse Dérbi ainda não tinha passado pela minha cabeça. Isso reforça o que falamos sobre representatividade. Hoje, temos três técnicas no Brasileirão e duas se enfrentarão agora. É algo marcante e vocês, da imprensa, têm a responsabilidade de dar visibilidade a isso para que aconteça mais vezes. É gratificante para mim e para a Rosana. Ela também vive o futebol há anos e certamente sente o mesmo orgulho por este momento”, exaltou. O duelo extrapola as quatro linhas.

Durante a coletiva, a treinadora detalhou os pilares de sua metodologia. A proposta envolve intensidade defensiva, ocupação inteligente de espaços e posse de bola com objetividade ofensiva. O sistema será adaptado às características do elenco disponível. “Meu modelo de jogo nasceu da minha essência como jogadora. Quando comecei a escrevê-lo, refleti sobre como gostava de atuar: era obediente taticamente, intensa na marcação e focada em fechar espaços. Com a bola, adorava a posse, mas de forma rápida e objetiva. Trouxe essa vivência para a minha metodologia, adaptando-a, claro, às características das atletas e de cada clube”, explicou. A identidade parte da experiência em campo.

Oportunidade, legado e projeto corintiano

Sobre a presença feminina nos bancos, foi enfática. “A grande questão hoje é a oportunidade. Quando comecei no Juventus, em 2013, realmente tínhamos poucas mulheres com licenças técnicas. Esse cenário mudou a partir de 2018 e, atualmente, a busca das mulheres pela capacitação é enorme. Antigamente, usava-se a desculpa de que ‘não havia mulheres preparadas’ para justificar a ausência delas no comando. Hoje, isso não cola mais. Temos muitas profissionais capacitadas, muitas vezes com licenças superiores às de homens que ocupam os cargos, mas as portas continuam fechadas”, afirmou. Ao explicar o retorno ao Brasil, completou: “Aceitar o convite do Corinthians foi uma decisão simples, porque o projeto já está escrito na história que o clube construiu no futebol feminino. Sabemos da estrutura, do profissionalismo do departamento e da segurança de onde estamos pisando”. A nova era começa sob expectativa e responsabilidade.