Inter pode perder receita com naming rights do Beira-Rio após avanço do BTG Pactual
Banco assumiu a participação da Andrade Gutierrez na Brio e passou a concentrar o controle da empresa que explora comercialmente o estádio. O Internacional ...
Banco assumiu a participação da Andrade Gutierrez na Brio e passou a concentrar o controle da empresa que explora comercialmente o estádio.
O Internacional pode deixar de arrecadar uma receita importante com a exploração comercial do Beira-Rio após o BTG Pactual assumir o controle integral da Brio, empresa responsável por administrar diferentes ativos comerciais do estádio. A movimentação levanta dúvidas sobre quem terá direito ao dinheiro de uma eventual negociação dos naming rights da casa colorada e acende um alerta entre candidatos à presidência do clube.
O BTG Pactual adquiriu os 50% da Brio que pertenciam à Andrade Gutierrez e passou a concentrar 100% da empresa, assumindo o controle do negócio. Entre as propriedades comerciais administradas pela companhia estão camarotes, cadeiras VIP, estacionamento, eventos e os direitos de exploração do nome do complexo. O acordo original firmado em 2012 prevê um contrato de 20 anos, o que torna fundamental entender as condições estabelecidas para a utilização comercial do estádio.
A principal preocupação está na possibilidade de o banco negociar os naming rights do Beira-Rio sem que o Internacional receba diretamente uma parcela do valor da operação. Como a Brio detém direitos relacionados à exploração comercial do estádio, existe uma dúvida sobre até que ponto o Colorado participa financeiramente de uma eventual venda do nome. Sem acesso às cláusulas contratuais, porém, não é possível afirmar que o Inter ficará sem receber ou que o BTG poderá concluir a operação sem qualquer pagamento ao clube.
Candidatos à presidência demonstram preocupação
A possibilidade já provoca apreensão entre candidatos à presidência do Internacional. A preocupação é entender quais direitos comerciais foram transferidos à Brio no acordo original, quais obrigações permanecem com o clube e se existe alguma previsão de repasse financeiro em caso de negociação dos naming rights.
Os candidatos ainda não têm todos os detalhes necessários para dimensionar o impacto de uma eventual operação. O conteúdo do contrato entre o Inter e a Brio é determinante para esclarecer se o Colorado tem participação direta ou indireta nas receitas geradas pela comercialização do nome do estádio, além de eventuais mecanismos de aprovação ou compensação financeira.
A questão ganha relevância em um momento no qual o Internacional precisa encontrar novas fontes de receita para equilibrar as contas. Caso o clube não tenha garantias contratuais que assegurem uma remuneração pela negociação dos naming rights, poderá enfrentar dificuldades para aproveitar financeiramente uma propriedade de grande valor comercial.
Outros clubes transformaram estádios em fontes de receita
A comercialização dos naming rights já se consolidou como uma alternativa de arrecadação para clubes brasileiros. O Palmeiras passou a negociar o nome de sua arena com o Nubank, enquanto o São Paulo mantém a parceria que transformou o Morumbi em Morumbis. Já o Corinthians tem a Neo Química Arena, resultado do acordo comercial firmado para dar nome ao estádio.
Os valores ajudam a dimensionar o potencial desse mercado. Levantamentos publicados pelo ge apontaram cerca de R$ 25 milhões anuais para o acordo do Morumbis e aproximadamente R$ 21 milhões por ano para a Neo Química Arena, considerando a correção do contrato corintiano. No caso da arena palmeirense, estimativas divulgadas após a entrada do Nubank indicam uma receita próxima de R$ 50 milhões anuais, embora os valores exatos não tenham sido oficialmente divulgados pelas partes.
Esses exemplos mostram por que a situação do Beira-Rio merece atenção. Uma negociação bem estruturada pode representar dezenas de milhões de reais por ano, dependendo do contrato, da visibilidade do estádio, da quantidade de eventos e das propriedades comerciais incluídas no acordo.
O que o contrato precisa esclarecer
O ponto decisivo está nas condições firmadas entre o Internacional e a Brio. É necessário esclarecer se os naming rights pertencem integralmente à empresa durante o período contratual, se o clube tem direito a uma parcela da receita gerada por uma eventual negociação e se a transferência do controle societário para o BTG Pactual exige autorização ou estabelece alguma obrigação adicional.
Também é importante verificar se a operação de compra da participação da Andrade Gutierrez altera apenas o controle da empresa ou se produz algum efeito sobre os direitos e deveres assumidos originalmente com o Internacional. A mudança de controle da Brio, por si só, não permite concluir que as cláusulas anteriores foram modificadas ou que o banco está automaticamente autorizado a negociar todas as propriedades comerciais sem restrições.
A eventual venda dos naming rights poderia representar uma oportunidade de ampliar a exploração comercial do Beira-Rio. Mas, se o Inter não tiver participação garantida na receita, o clube corre o risco de ver um ativo associado à sua história e à sua torcida gerar ganhos principalmente para a empresa responsável pela exploração comercial. É justamente essa possibilidade que precisa ser esclarecida antes de qualquer conclusão sobre o impacto financeiro da operação.