Maurício e Andreas podem mudar estratégia de Abel com tática ousada para potencializar o Palmeiras
Abel tem duas características importantes à disposição na reta decisiva, e encontrar o equilíbrio entre elas pode ampliar o repertório do Palestra O fute...
Abel tem duas características importantes à disposição na reta decisiva, e encontrar o equilíbrio entre elas pode ampliar o repertório do Palestra
O futebol costuma transformar uma boa atuação em disputa por posição. No Palmeiras, porém, a ascensão de Maurício pode oferecer a Abel Ferreira uma discussão sobre a possibilidade de reorganizar o meio-campo sem abrir mão das características que fizeram de Andreas Pereira uma peça importante da equipe. O gol contra o Vasco colocou o ‘brasaguaio’ no centro dessa equação, mas seus argumentos vão muito além dos 90 minutos no Nubank Parque.
Ao escalar Maurício no lugar de Andreas, o treinador modificou a composição do setor ofensivo e ganhou um jogador com maior capacidade de atacar a área. A resposta veio aos 24 minutos do primeiro tempo, quando o meia encontrou espaço entre os marcadores e aproveitou o passe de Marlon Freitas para decidir a partida, afinal, das inúmeras chances perdidas, entre a pressão vascaína e os problemas palestrinos, essa foi a única bola que entrou.
Existe um número que ajuda a explicar por que essa discussão ganhou força justamente agora. Maurício chegou a 15 gols na temporada, considerando os 14 pelo Verdão e um pela seleção paraguaia. Dez desses gols pelo clube saíram desde 22 de julho. Não se trata, portanto, de um jogador que apareceu repentinamente em uma tarde de Copa do Brasil. Há uma evolução de produção ofensiva que merece atenção.
O recorte também ganha relevância quando observado ao lado de Andreas. O camisa 8 soma 12 assistências em 56 partidas, além de quatro gols e 4.228 minutos em campo. É o principal garçom do elenco e oferece ao Palmeiras uma capacidade de circulação, distribuição e organização que não pode ser medida apenas pela quantidade de participações diretas em gols. Seria um erro transformar a discussão em uma eleição de popularidade entre dois jogadores que entregam coisas diferentes.
Como Maurício se transforma em peça-chave do Palmeiras?
Maurício acrescenta uma característica particularmente valiosa para um time que, em determinados momentos, encontra dificuldades para ocupar a área adversária: a infiltração. Contra o Vasco, sua movimentação aproximou o meia dos atacantes e permitiu que ele aparecesse em uma zona de finalização. Em vez de permanecer apenas como responsável pelo último passe, passou a ser também uma ameaça para quem defendia a própria área.
A participação de Marlon Freitas no lance do gol ajuda a compreender essa dinâmica. O volante recuperou a bola após uma disputa envolvendo Jhon Arias e encontrou Maurício entrando na área. A jogada reuniu duas funções complementares: a capacidade de Marlon de identificar o movimento e a disposição do camisa 18 para atacar o espaço. É justamente esse tipo de combinação que pode tornar o Verdaço menos previsível na construção ofensiva.
O poder de uma dupla promissora
Mas a análise não termina na substituição de Andreas por Maurício. Existe uma terceira possibilidade, com a busca para encontrar uma maneira de utilizar os dois juntos. Andreas poderia assumir maior responsabilidade pela organização e pela distribuição, enquanto Maurício teria liberdade para jogar mais próximo de Flaco López, explorando os espaços entre os defensores e chegando à área. Seria uma estratégia para distribuir melhor as responsabilidades ofensivas.
Naturalmente, essa configuração exigiria ajustes. Com dois jogadores de características mais ofensivas ocupando regiões avançadas, o Palestra precisaria preservar proteção ao setor central e estabelecer uma compensação eficiente nas transições defensivas. Marlon Freitas e Lucas Evangelista, por exemplo, teriam importância ainda maior nessa estrutura. Abel teria de encontrar o equilíbrio entre acrescentar presença na área e não deixar o meio-campo exposto quando a posse fosse perdida.
Lucas Evangelista e Marlon Freitas entram forte na equação da ‘meicuca’ Alviverde – Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by CanonA partida contra o Vasco também oferece uma advertência. A SEP finalizou 19 vezes, mas acertou apenas quatro chutes no gol. Dominou boa parte do primeiro tempo, criou oportunidades e poderia ter construído uma vantagem mais confortável. Depois do intervalo, entretanto, perdeu intensidade e permitiu que o adversário encontrasse espaços. A entrada de Andreas aos 16 minutos da etapa final trouxe outra alternativa de organização, mas não impediu a queda de rendimento coletivo. Contudo, o resultado positivo não deve ser confundido com uma solução tática definitiva.
Armas para Abel em uma intensa reta final de temporada
O que se apresenta para Abel é uma escolha que pode ser menos excludente do que parece. Andreas continua sendo um dos principais articuladores do elenco, enquanto Maurício atravessa um período de produção ofensiva expressiva. O desafio é identificar em quais circunstâncias cada característica pode oferecer maior benefício ao time. Em jogos nos quais a equipe precisa de circulação e controle da construção, Andreas tem argumentos. Quando a necessidade é acrescentar infiltração e presença na área, Maurício apresenta uma resposta diferente.
Na reta decisiva da temporada é preciso ampliar as possibilidades de intervenção de um treinador que precisa preparar o Palmeiras para adversários e contextos distintos. Maurício ganhou força com seus gols, mas também apresentou uma movimentação que pode alterar o funcionamento do ataque. Andreas, por sua vez, continua oferecendo uma capacidade de organização difícil de substituir. Abel tem diante de si um problema dos bons: decidir como aproveitar dois jogadores que podem ser mais úteis juntos do que separados.