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Maurício muda o cenário e Palmeiras ganha dilema triplo para solucionar desfalque de Vitor Roque

A fala de Abel após a vitória confirmou descobertas que impactam a estratégia de escalação e acrescentam elementos à disputa por espaço na semifinal O f...

Maurício muda o cenário e Palmeiras ganha dilema triplo para solucionar desfalque de Vitor Roque
Maurício muda o cenário e Palmeiras ganha dilema triplo para solucionar desfalque de Vitor Roque (Foto: Reprodução)

A fala de Abel após a vitória confirmou descobertas que impactam a estratégia de escalação e acrescentam elementos à disputa por espaço na semifinal

O futebol tem dessas ironias que nem o mais aplicado dos planejamentos consegue antecipar. Maurício passou mais de um mês sem começar uma partida pelo Palmeiras, recebeu uma oportunidade contra o Athletico-PR e precisou de cinco minutos para lembrar a Abel Ferreira que o banco de reservas também pode produzir argumentos. Seu gol abriu caminho para a vitória por 2 a 0, mas o efeito mais interessante da atuação talvez esteja na semana que se inicia: a decisão contra o Fluminense, pela Libertadores, ganhou mais uma alternativa ofensiva.

Os números ajudam a explicar por que o camisa 18 merece ser observado com atenção. Maurício chegou a 12 gols na temporada e, segundo o levantamento do UOL, marcou três vezes nas duas partidas em que foi titular no ataque em 2026. Não se trata de transformar uma amostra pequena em certificado de titularidade, muito menos de ignorar a concorrência. Trata-se de reconhecer que um jogador capaz de produzir quando recebe oportunidades passa a oferecer ao treinador uma dúvida legítima, afinal, o paraguaio palestrino é o segundo artilheiro da ‘equipa’ no ano.

Depois da vitória em Curitiba, Abel reconheceu que Maurício aproveitou a chance. “O Mauricio não jogava há algum tempo e entrou bem”, afirmou o treinador, que também elogiou Ramón Sosa. A declaração não entrega a escalação de quarta-feira (21), mas confirma que as mudanças promovidas contra o Athletico cumpriram a importante missão de ampliar o repertório de opções. Além dos três pontos e da liderança provisória do Brasileirão, a vitória sobre o CAP deu motivos para o Palestra reavaliar algumas escolhas.

O contexto, porém, impede qualquer conclusão apressada. Maurício começou a partida ao lado de Flaco López e Sosa, em uma formação que permitiu ao paraguaio atuar mais adiantado. O gol nasceu cedo, e o Verdão construiu a vantagem antes dos dez minutos. Depois da expulsão de Andreas Pereira, aos 42 da primeira etapa, Maurício saiu no intervalo para a entrada de Marlon Freitas, uma mudança determinada pela necessidade de recompor o meio-campo. Portanto, os 45 minutos do camisa 18 foram suficientes para deixar uma impressão positiva, mas não para resolver todas as questões que cercam o ataque alviverde.

Perfil da concorrência por uma vaga no Palmeiras

Maurício oferece chegada à área, mobilidade e capacidade de participar das combinações por dentro. Não é um centroavante de ofício, mas pode funcionar perto de Flaco, atacando espaços e evitando que o argentino fique isolado entre os zagueiros. Em determinadas circunstâncias, essa movimentação pode ser mais útil do que a presença de um segundo atacante preso à última linha. A questão é descobrir qual combinação responde melhor ao adversário e ao tipo de jogo que o Palmeiras precisará fazer.

A principal incógnita, entretanto, tem nome e sobrenome: Vitor Roque. Após a vitória sobre o Athletico, Abel não ofereceu o alívio que parte da torcida gostaria de receber. “Não sei dizer. Queria te dar a notícia, não está conosco, não sei se será possível”, afirmou o treinador ao comentar a recuperação do atacante, que sofreu uma entorse no tornozelo direito no clássico contra o Corinthians. O português acrescentou que ainda havia três dias de preparação. No entanto, nesta segunda-feira (19), o Tigrinho seguiu longe de voltar ao campo, em recuperação, recolhido à parte interna da Academia de Futebol e sob os cuidados do Núcleo de Saúde e Performance.

Entretanto, a declaração de Abel muda o peso da atuação de Maurício. Se Vitor Roque estiver disponível, algo pouco provável, Abel terá de decidir se preserva a estrutura com o camisa 9, Flaco e as peças de apoio ou se encontra espaço para um jogador que acabou de responder em campo. Se o centroavante continuar fora, a discussão ganha caráter mais urgente. Maurício passa a disputar uma vaga em um setor no qual Ramón Sosa também demonstrou capacidade de atuar mais perto da área. Ramón, aliás, soma seis gols e uma assistência nas 12 partidas em que começou como integrante da dupla de ataque.

John Arias completa o quadro de alternativas, embora sua atuação discreta no jogo de ida contra o Fluminense tenha alimentado questionamentos. O colombiano oferece mobilidade e capacidade de circular pelos corredores, características importantes para enfrentar uma defesa que conhece bem a SEP. Mas comparar Arias, Sosa e Maurício apenas pelo número de gols seria uma maneira eficiente de produzir uma análise ruim. Cada um oferece soluções diferentes: Arias pode conectar setores e variar os movimentos; Sosa acrescenta força para atacar os espaços; Maurício tem a capacidade de aparecer por dentro e chegar à área. A escolha depende do equilíbrio que Abel pretende construir ao redor de Flaco.

Maurício como trunfo no mecanismo

Há também um ensinamento tático na própria fala do treinador sobre o confronto com o Athletico. Abel afirmou que a dinâmica coletiva permitiu ao Verdaço “deixar jogadores livres por dentro e por fora”. O conceito importa mais do que a formação estampada na escalação. Quando os movimentos funcionam, os jogadores encontram espaços para receber, acelerar e atacar; quando não funcionam, até um elenco recheado de alternativas pode transformar a partida em uma coleção de tentativas previsíveis. Maurício pode ajudar nesse mecanismo, desde que sua presença seja pensada como parte de uma engrenagem, não como uma solução milagrosa para os problemas do ataque.

Lições de Curitiba

A vitória em Curitiba ainda mostrou outra característica que Abel valoriza, já que a capacidade de o grupo suportar dificuldades sem abandonar a organização foi o trunfo para a superação palestrina. Depois da expulsão de Andreas, o Palestra precisou defender a vantagem com um homem a menos durante todo o segundo tempo. O treinador resumiu o esforço dizendo que “todos correram por mais um”. O mérito coletivo não deve ser confundido com uma resposta definitiva sobre a formação ideal para a Libertadores, mas reforça a importância de ter jogadores capazes de cumprir funções diferentes. Em uma semifinal, a versatilidade pode ser tão valiosa quanto o talento individual.

O improvável retorno de Vitor Roque é a peça que ainda falta para fechar o quebra-cabeça. Abel tem dois dias para avaliar a condição física do atacante, observar a resposta dos concorrentes e escolher a combinação que melhor se encaixa no confronto decisivo. Maurício fez sua parte, aproveitou uma oportunidade, marcou seu 12º gol no ano e voltou a entrar na conversa em um momento importante. Não conquistou a titularidade por decreto, assim como Vitor Roque não pode recuperá-la apenas pelo peso do nome. Para o Alviverde, a boa notícia é ter alternativas, mas a dificuldade será escolher a certa.