Morre Paulo Angioni, o ‘cérebro’ da Parmalat que montou o Palmeiras para conquistar a América pela 1ª vez
Executivo que morreu neste sábado, aos 80 anos, foi peça importante na transformação do futebol brasileiro e teve papel de destaque na montagem do Palmeiras...
Executivo que morreu neste sábado, aos 80 anos, foi peça importante na transformação do futebol brasileiro e teve papel de destaque na montagem do Palmeiras campeão da Libertadores de 1999
O futebol brasileiro perdeu neste sábado (12) um de seus personagens mais importantes dos bastidores. Aos 80 anos, morreu Paulo Angioni, executivo que dedicou mais de quatro décadas ao futebol e teve participação direta em um dos períodos mais marcantes da história do Palmeiras.
Longe dos holofotes reservados aos jogadores e treinadores, o dirigente foi uma das peças que ajudaram a transformar a maneira como os grandes clubes brasileiros passaram a administrar o futebol.
Torcedor do Fluminense, clube pelo qual trabalhava atualmente, Angioni tratava um câncer no pâncreas desde o início de setembro, no Rio de Janeiro. Formado em psicologia e administração esportiva, também trabalhou na Seleção Brasileira como supervisor entre 1989 e 1990 e passou por diversos clubes ao longo da carreira.
Foi, porém, durante a parceria entre Palmeiras e Parmalat que seu nome entrou definitivamente na história do futebol alviverde.
Angioni e a transformação do futebol brasileiro
Angioni chegou à Parmalat em 1998 para coordenar o trabalho da empresa junto ao Palmeiras e permaneceu ligado ao projeto até 2000. O período representava uma mudança de paradigma no futebol brasileiro.
A parceria entre o SEP e a multinacional italiana estabeleceu uma nova lógica de gestão, com maior capacidade de investimento, planejamento, profissionalização do departamento de futebol e contratação de jogadores de alto nível. Angioni estava justamente no centro dessa engrenagem.
Sua função ia muito além de negociar atletas. O executivo fazia a ponte entre dirigentes, investidores, comissão técnica e jogadores e ajudava a estruturar um departamento de futebol cada vez mais profissional.
O Palmeiras campeão da Libertadores
A passagem de Angioni pelo Palmeiras aconteceu justamente durante a formação de uma das equipes mais fortes da história recente do clube. Em 1998, o Verdão conquistou a Copa do Brasil e a Copa Mercosul. No ano seguinte, veio o título que mudou definitivamente o patamar daquela geração: a Libertadores, a primeira da história do Palmeiras.
O elenco reunia nomes como Velloso, Marcos, Arce, Roque Júnior, César Sampaio, Zinho, Paulo Nunes, Oséas e Alex. Sob o comando de Luiz Felipe Scolari, aquela equipe entrou para a história do clube.
Angioni não era o homem que aparecia levantando a taça. Seu trabalho acontecia antes e longe das quatro linhas: na montagem do elenco, nas negociações e na construção de um ambiente profissional capaz de sustentar uma equipe que disputava títulos em alto nível.
O ‘motivador’ do Palmeiras no Mundial
Uma das histórias mais curiosas envolvendo Angioni aconteceu justamente no fim daquela temporada. Na preparação para a final do Mundial Interclubes de 1999, contra o Manchester United, no Japão, o executivo assumiu também um papel incomum para um dirigente.
Angioni passou a reunir os jogadores antes dos treinamentos e realizar pequenas palestras motivacionais. Durante cerca de dez minutos, conversava com o grupo sob as vistas de Felipão e utilizava conceitos ligados à psicologia e à motivação.
A ideia era trabalhar o aspecto emocional de um elenco que tinha pela frente o campeão europeu. O Palmeiras acabou derrotado por 1 a 0 pelo Manchester United, em uma partida na qual o time brasileiro teve oportunidades para conquistar o título. Ainda assim, a atuação daquela equipe ficou marcada pela postura competitiva diante de um dos gigantes do futebol mundial.
Um legado que vai além do Palmeiras
O trabalho de Paulo Angioni ajuda a explicar uma transformação que ocorreu no futebol brasileiro entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000. Naquele momento, os clubes começavam a perceber que o futebol profissional exigia muito mais do que dirigentes tradicionais tomando decisões de maneira intuitiva.
Era necessário planejamento, conhecimento de mercado, gestão de pessoas, negociação e preparação psicológica. Angioni esteve entre os profissionais que ajudaram a construir essa mudança.
No Palmeiras, sua história ficou eternamente ligada a uma das maiores conquistas da instituição. A Libertadores de 1999 não foi resultado de um único personagem, mas de uma estrutura que envolveu investimento da Parmalat, planejamento do departamento de futebol, montagem de elenco, comissão técnica e jogadores.