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Narrador histórico da Argentina, Victor Hugo Morales lembra os 40 anos de gol de Maradona contra a Inglaterra

O registro de veterano locutor esportivo para o lance antológico do saudoso camisa 10 é considerado o mais famoso Era 22 de junho de 1986. Os brasileiros chor...

Narrador histórico da Argentina, Victor Hugo Morales lembra os 40 anos de gol de Maradona contra a Inglaterra
Narrador histórico da Argentina, Victor Hugo Morales lembra os 40 anos de gol de Maradona contra a Inglaterra (Foto: Reprodução)

O registro de veterano locutor esportivo para o lance antológico do saudoso camisa 10 é considerado o mais famoso

Era 22 de junho de 1986. Os brasileiros choravam a eliminação nos pênaltis para a França no dia anterior. No mítico Estádio Azteca, o mundo assistiria a mais do que um jogo de futebol, em que o contexto político também ultrapassaria as quatro linhas.

Com a Guerra das Malvinas ainda muito recente na memória dos argentinos, a seleção comandada por Carlos Bilardo tinha um Maradona sedento por vingança. Diante da tomada dos ingleses das Ilhas Falkland, o camisa 10 deu o troco fazendo o que mais sabia.

Assim, proporcionaria o que, para muitos, é a maior atuação individual da história das Copas do Mundo. Poucos minutos após marcar o célebre gol com “La Mano de Dios“, o craque suplantaria toda a defesa da Inglaterra, partindo do meio-campo distribuindo dribles com a bola grudada em seu pé esquerdo, até chegar ao gol de Peter Shilton.

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O gol de placa recebeu uma célebre narração de Victor Hugo Morales. Hoje com 78 anos, o jornalista uruguaio radicado na Argentina concedeu ao lance antológico um registro com o tamanho da emoção que o momento mereceu.

“Quero chorar. Maradona, numa corrida memorável. Na jogada de todos os tempos. Um ‘barrillete’ cósmico. De que planeta você veio para deixar tantos ingleses para trás, para fazer o país inteiro cerrar os punhos e gritar pela Argentina? Argentina 2, Inglaterra 0. Diegol, Diegol, Diego Armando Maradona! Obrigado, Deus, pelo futebol, por Maradona, por essas lágrimas“, descreveu.

Em entrevista para o Bolavip Argentina, Victor Hugo Morales foi modesto ao não considerar esta a sua maior narração da carreira, e sim o gol marcado por Maradona contra a Grécia em 1994, que seria o seu último em Mundiais. O comunicador admitiu ter demorado para ouvir novamente o registro do gol histórico de 1986, tendo escutado poucas vezes.

Victor Hugo Morales, em entrevista para o Bolavip – Foto: Reprodução/YouTube

“Eu não ouço. Só ouço quando está passando. Não acho que seja tão bom assim , mas acho maravilhoso pelo impacto que teve na minha vida e por como acompanhou a carreira inesquecível do Diego. Mas no começo, eu tinha medo de ter ido longe demais, de ter reagido de forma exagerada, de ter ficado obcecado, e tinha um pouco de medo desse confronto com a realidade, então demorei um pouco para começar a ouvir. Mas aí começavam as entrevistas, e o apresentador dizia: “o comentarista deste gol”, e então o gol aparecia, e aí eu ouvia um pouco. Às vezes eu tirava o celular, mas sim, me acostumei, e eles tocam com tanta frequência, graças a Deus pelo Diego, que me acostumei a conviver tranquilamente com o gol“, disse o jornalista, reconhecendo que o lance foi um ponto de virada em sua vida profissional.

“Tive muita sorte de ter conseguido transmitir essa mensagem em meio a tanta emoção. Nós, comentaristas, tentamos inventar o máximo de frases sem sentido possível para ver se encontramos algo que faça jus ao que acabamos de ver e ao que nosso ouvinte está sentindo. E falamos, fechamos os olhos e pensamos: ‘Já fiz isso em milhares de gols’. Às vezes, nada nos vem à mente. Às vezes, é um disparate que é melhor esquecer, e, ocasionalmente, é um golpe de gênio, como a história mostrou aos ouvintes que a narração do gol de Diego acabou sendo“, declarou.

“La Mano de Dios” e Messi

Pouco tempo antes do golaço de Maradona, Victor Hugo Morales teve convicção ao afirmar que Maradona havia aberto o placar contra a Inglaterra dando um tapa com a mão na bola para vencer Shilton pelo alto.

“Tenho muito orgulho jornalístico porque, quando vi o lance de mão, eu o avisei. Mas o que posso dizer sobre o jogo contra a Inglaterra? Mesmo com o lance de mão, eu teria comemorado com todas as minhas forças. Mas eu já havia deixado bem claro que o gol foi marcado com a mão, que os ingleses tinham razão em protestar“, ponderou.