NewC questiona concorrência do São Paulo pela Ticketmaster e cita proposta de R$ 500 milhões; Clube se posiciona
Empresa afirma que não foi oficialmente convidada no início da concorrência, relata falta de respostas e pede que Conselho analise documentos do processo Um...
Empresa afirma que não foi oficialmente convidada no início da concorrência, relata falta de respostas e pede que Conselho analise documentos do processo
Um documento enviado ao presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres de Abreu, adicionou novos questionamentos ao processo que levou o clube a escolher a Ticketmaster para a gestão de ingressos do Morumbis. A manifestação foi encaminhada à Secretaria dos Conselhos em 28 de agosto e é assinada por Cesar Augusto Sbrighi, Country Manager Brazil da NewC.
Segundo apuração do Bolavip Brasil, a empresa relata no documento uma série de episódios relacionados à sua participação na concorrência e questiona a forma como o processo foi conduzido. A NewC afirma que não teria sido oficialmente convidada no início da disputa e que tomou conhecimento da tomada de preços por meio do mercado.
NewC questiona participação na concorrência
De acordo com o relato apresentado ao Conselho, a NewC formalizou seu interesse em participar do processo em 13 de abril, mas teria recebido autorização para apresentar uma proposta somente em 24 de abril, quando, segundo a empresa, a concorrência já estava avançada.
Em 26 de maio, a NewC participou de uma reunião para apresentar sua proposta. Na ocasião, afirma ter descoberto que o documento utilizado como referência anteriormente não correspondia à versão mais atualizada do processo.
Após analisar o novo instrumento, a empresa diz ter entendido que a concorrência estava concentrada principalmente na antecipação de recursos financeiros, utilizando os recebíveis futuros da bilheteria como garantia. Na avaliação da NewC, critérios técnicos relacionados à operação de ticketing teriam tido menor peso.
Outro ponto levantado pela empresa envolve o Camarote Corporativo. Segundo a NewC, o lote teria peso relevante e obrigatório na avaliação, mas sua viabilidade dependeria de condições comerciais que seriam definidas posteriormente pela controladora de uma das concorrentes.
Empresa diz ter estruturado operação de R$ 500 milhões
Diante desse cenário, a NewC afirma que decidiu, em conjunto com parceiros, apresentar uma alternativa mais ampla para a situação financeira do São Paulo. Segundo o documento, a diretoria financeira do clube havia sinalizado inicialmente uma necessidade de antecipação de aproximadamente R$ 90 milhões.
Após a assinatura de um acordo de confidencialidade e acesso a informações financeiras do São Paulo, a NewC diz ter desenvolvido, em parceria com a ANGA Asset, uma operação financeira estimada em aproximadamente R$ 500 milhões.
A proposta foi apresentada ao clube em uma reunião no dia 6 de julho, com apoio jurídico do escritório Demarest Advogados. No documento enviado ao Conselho, a NewC afirma que o encontro foi produtivo e que o São Paulo teria demonstrado interesse em analisar os termos apresentados.
Segundo a empresa, o clube também teria se comprometido a verificar com a própria Ticketmaster a possibilidade de ampliar o escopo das garantias e dos valores envolvidos.
NewC afirma que ficou sem resposta
A empresa relata que, após aproximadamente dez dias sem retorno, enviou uma cobrança solicitando informações necessárias para dar sequência às negociações. Cerca de uma semana depois, recebeu uma resposta que, segundo a NewC, indicava interesse do São Paulo em continuar as conversas.
Em 22 de julho, a empresa afirma ter enviado uma versão atualizada da proposta apresentada na reunião de 6 de julho. No mesmo contato, teria solicitado informações complementares e uma reunião com a Presidência para tentar avançar na conclusão das negociações.
Segundo o documento encaminhado ao Conselho, esse e-mail não teria sido respondido pelo clube.
O episódio ganhou novo contorno em 5 de agosto, quando a NewC afirma ter recebido uma mensagem da atual gestão, enviada por André Marques, cujo conteúdo estaria distante das tratativas que vinham sendo realizadas até então.
Na mesma data, porém, informações divulgadas pela imprensa apontavam que o São Paulo já havia concluído a análise técnica da concorrência e avançava para a elaboração das minutas contratuais com a empresa escolhida.
Conselho terá novos elementos para analisar
A partir dessa sequência, a NewC afirma ter concluído que o São Paulo havia escolhido a Ticketmaster enquanto as conversas com a empresa ainda estavam sem uma definição formal.
No documento, Sbrighi afirma que a impressão deixada pelo processo é de que a proposta da NewC não teria recebido uma análise compatível com sua dimensão e potencial. A empresa, no entanto, reconhece que a atual gestão tornou pública a decisão de prosseguir com a Ticketmaster.
A contratação ainda depende da aprovação do Conselho Deliberativo. Por isso, a NewC pede que sejam analisados documentos, mensagens, vídeos, atas e e-mails relacionados à concorrência, argumentando que esse material poderia esclarecer como ocorreu sua participação e quais foram os termos das negociações.
O documento não comprova, por si só, qualquer irregularidade no processo de escolha da Ticketmaster. Os questionamentos apresentados são da própria NewC e foram encaminhados ao presidente do Conselho Deliberativo para conhecimento e eventual análise dos conselheiros.
Nota oficial do presidente Harry Massis:
“O Presidente da Diretoria Executiva do São Paulo Futebol Clube repudia veementemente a postura do Presidente do Conselho Deliberativo e da NewC, empresa derrotada no processo de escolha da nova tiqueteira do MorumBIS.
Trata-se de uma tentativa de prejudicar um processo estruturado, conduzido ao longo de mais de quatro meses, com análise das áreas responsáveis e submissão às instâncias competentes de governança do São Paulo Futebol Clube.
Após aprovação unânime pelo Conselho de Administração, a proposta da Ticketmaster foi encaminhada ao Conselho Deliberativo, no dia 27 de agosto, para análise e deliberação. Ontem, o Presidente do Conselho Deliberativo decidiu instaurar uma comissão formada por três membros identificados com a oposição e apenas um integrante da situação, estabelecendo evidente desequilíbrio em sua composição e criando mais uma etapa que, na prática, retarda a apreciação do contrato.
Durante todo o processo, nenhum participante questionou as regras do edital da concorrência, que recebeu seis propostas de diferentes empresas. Lamentamos que essas indagações tenham surgido somente após a escolha da Ticketmaster, cuja proposta apresentou, de forma inequívoca, as melhores condições para o São Paulo Futebol Clube.
É fundamental esclarecer que o processo não tinha como objeto a negociação de ativos imobiliários ou do direito de superfície do MorumBIS.A suposta segunda “proposta”, divulgada como uma operação de até R$ 500 milhões, não consistiu em uma oferta formal dessa natureza. O material apresentado pela NewC limitava-se a um conjunto de slides com uma ideia preliminar envolvendo uma estrutura financeira vinculada ao estádio.O São Paulo Futebol Clube rejeita a tentativa de apresentar um projeto embrionário como se fosse uma proposta diretamente comparável dentro da mesma concorrência.
O MorumBIS pertence ao São Paulo Futebol Clube. Qualquer operação envolvendo um patrimônio dessa magnitude exige análise rigorosa, segurança jurídica e absoluta proteção dos interesses da instituição.
A estrutura apresentada previa a participação da Lu Arenas, empresa presidida por Bruno Balsimelli. O PowerPoint sugeria a criação de uma operação financeira por meio de fundo de investimento imobiliário que poderia levantar ATÉ R$ 500 milhões, sem qualquer garantia de que esse montante seria efetivamente alcançado.
Além disso, o modelo envolveria receitas futuras do Clube e o Estádio do MorumBIS, nossa casa e um de seus principais ativos patrimoniais.Por diversas vezes, a Diretoria solicitou que a NewC apresentasse formalmente uma proposta completa e detalhada sobre essa operação. Isso nunca ocorreu.Em vez de conduzir o tema exclusivamente pelos canais institucionais, representantes ligados à Lu Arenas optaram por pressionar o Clube e promover a circulação de informações que não correspondem aos fatos.
Também é necessário que o torcedor conheça o histórico da Lu Arenas e as controvérsias públicas relacionadas à sua atuação. Entre elas está a extinção da concessão da Arena Independência pelo Governo de Minas Gerais, que declarou a caducidade do contrato por descumprimento de obrigações da concessionária. Segundo comunicado oficial do próprio Governo de Minas, a empresa deixou de repassar ao poder público, desde 2015, valores que já somavam aproximadamente R$ 36 milhões.
A participação da Lu Arenas também foi apontada pela área de Compliance do Clube como um obstáculo à continuidade das negociações. Causa estranheza, ainda, que somente agora representantes da NewC tenham passado a assumir diretamente a comunicação sobre o tema, inclusive com o envio de e-mails ao Conselho Deliberativo, quando, durante o processo, essa interlocução foi conduzida por terceiros.
É igualmente preocupante que uma empresa multinacional dinamarquesa tente reverter, por meio de pressão política e institucional, o resultado de uma concorrência na qual sua proposta foi amplamente superada pela de outra participante.
O São Paulo Futebol Clube entende, de forma definitiva, que a proposta apresentada pela Ticketmaster, uma das maiores empresas globais do setor de ingressos, atende aos requisitos estabelecidos pelo Clube, contempla investimentos garantidos, oferece segurança jurídica à instituição e tem potencial para ampliar as receitas de bilheteria e do programa de sócio-torcedor, além de aprimorar significativamente o serviço prestado aos são-paulinos.
Estamos certos de que os membros do Conselho Deliberativo cumprirão sua missão de defender os interesses do São Paulo Futebol Clube e preservar a instituição de disputas políticas e manobras de natureza eleitoral.O patrimônio, a reputação e o futuro do São Paulo Futebol Clube devem estar acima de interesses individuais, empresariais ou circunstanciais.