O jornalismo do Rio Grande do Sul perde Guerrinha, uma referência de paixão pelo futebol e pelo turfe
O jornalismo gaúcho chora a partida de Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha. Confira a homenagem ao ícone da imprensa esportiva, lembrado pelo respeito ao Grêm...
O jornalismo gaúcho chora a partida de Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha. Confira a homenagem ao ícone da imprensa esportiva, lembrado pelo respeito ao Grêmio e frases marcantes.
Adroaldo Guerra Filho nos deixa após complicações de saúde, marcando a história da imprensa com respeito, integridade e tiradas inesquecíveis que atravessam gerações
O jornalismo do Rio Grande do Sul perdeu uma de suas vozes mais marcantes e emblemáticas. Adroaldo Guerra Filho, o inesquecível Guerrinha, nos deixou após enfrentar complicações de saúde que se agravaram nos últimos tempos. Sua partida deixa um vazio imenso nos microfones, nas colunas e no coração de quem acompanha o futebol diariamente no Estado.
Mesmo identificado como torcedor do Internacional, Guerrinha construiu uma carreira pautada por um traço gigante: o respeito profundo ao Grêmio, à nossa torcida e à nossa instituição. Jamais usou o microfone para desmerecer o Imortal. Pelo contrário, sempre soube reconhecer a grandeza do Tricolor com a retidão dos grandes nomes da imprensa.
A paixão de Guerrinha não se limitava ao futebol. O jornalista também era um verdadeiro apaixonado pelo turfe, modalidade na qual demonstrava um conhecimento técnico invejável e um entusiasmo genuíno. Essa pluralidade e amor pelo esporte faziam dele uma figura única e admirada por colegas de todas as idades.
A forma como comunicava era sua maior marca registrada. Com um estilo direto e um humor afiado, Guerrinha imortalizou frases no cotidiano do futebol gaúcho. Quem não se lembra de quando ele afirmava categoricamente que “pianista toca piano, guitarrista toca guitarra, é assim que se escala a equipe”? A lógica simples e certeira traduzia com perfeição a essência do jogo.
Outras tiradas icônicas marcaram a sua trajetória nos programas de rádio e colunas de jornal. Ele costumava disparar que “futebol não tem mistério, quem sabe joga, quem não sabe corre” ou brincar sobre a rotina dos clubes afirmando que “treino é treino, jogo é jogo, e no domingo o bicho pega”. Essas expressões tornaram-se jargões populares reproduzidos por torcedores em todas as rodas de conversa.
Para além do carisma e das tiradas folclóricas, vale ressaltar a seriedade de seu trabalho de imprensa. Guerrinha praticava uma apuração rigorosa, buscando a informação com responsabilidade e sem nunca ultrapassar a linha do respeito profissional. Trabalhava com a verdade, honrando a profissão sem recorrer ao sensacionalismo para buscar audiência.
Tive a oportunidade de conversar com ele pessoalmente em duas ocasiões. Em ambas as oportunidades, fui acolhido com imensa gentileza e generosidade, características marcantes de quem sabia ser gigante na profissão sem perder a humildade no tratamento com os colegas que admiravam o seu trabalho.
A trajetória de Adroaldo Guerra Filho deixa um legado definitivo para toda a comunicação esportiva. Ele ensinou que é possível ter paixão, cor partidária no futebol e, ainda assim, manter a integridade e o respeito máximo pelos adversários e por todas as torcidas do Rio Grande do Sul.
Neste momento de dor e despedida, deixo meus mais sinceros sentimentos de pesar à família, aos amigos e a todos os integrantes e colegas de jornada do Grupo RBS. Que encontrem conforto na memória de uma vida dedicada com tanto brilho e dedicação à comunicação do nosso Estado.
O jornalismo gaúcho perde um gigante, mas o legado e a memória de Guerrinha permanecerão vivos no rádio, nos jornais e na história do nosso futebol. Obrigado pela dedicação e pelo respeito ao esporte, caro colega.