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Opinião: Abel mudou o Palmeiras antes da crise, aí está a maior lógica dos três zagueiros

Os três zagueiros nasceram de uma necessidade, não de uma tendência. Entender esse contexto ajuda a explicar por que Abel mudou o Palmeiras agora Confesso q...

Opinião: Abel mudou o Palmeiras antes da crise, aí está a maior lógica dos três zagueiros
Opinião: Abel mudou o Palmeiras antes da crise, aí está a maior lógica dos três zagueiros (Foto: Reprodução)

Os três zagueiros nasceram de uma necessidade, não de uma tendência. Entender esse contexto ajuda a explicar por que Abel mudou o Palmeiras agora

Confesso que a adoção do sistema com três zagueiros por Abel Ferreira não me surpreendeu. Na verdade, eu estava mais curioso para saber quando isso aconteceria do que se realmente aconteceria. Depois da Copa do Mundo de 2026, o Palmeiras passou a apresentar um contexto diferente, com mudanças no elenco e adversários cada vez mais preparados para neutralizar o modelo que levou o clube a tantas conquistas.

Na minha visão, o principal motivo dessa mudança não foi ofensivo, mas defensivo. O Palmeiras vinha sofrendo em um aspecto que sempre foi uma de suas maiores virtudes: o controle das transições. Em vários momentos da temporada, bastava perder a bola para o time percorrer longas distâncias na recomposição. Com três zagueiros, esse cenário muda completamente. Sempre existe um homem na sobra, os defensores conseguem sair para o combate com mais agressividade e os alas ganham liberdade para pressionar sem deixar a última linha exposta.

O que mais me chamou atenção, porém, foi a forma como Abel utilizou esse sistema. Muita gente olha para três zagueiros e imagina um time mais cauteloso. Eu enxergo justamente o contrário. Os alas empurram os laterais adversários para trás, um dos zagueiros pode conduzir a bola até o meio-campo e o desenho se aproxima de um 3-2-5, ocupando praticamente todos os corredores do campo.

Problema tático que pode ser resolvido

Também acredito que essa mudança tem potencial para resolver um problema silencioso da equipe: a saída de bola sob pressão. Nos últimos meses, alguns adversários passaram a marcar individualmente a construção palmeirense, dificultando a participação dos volantes. Com três zagueiros, Abel cria uma superioridade numérica logo na primeira fase da jogada. Se o rival sobe com dois atacantes, sobra um defensor livre. Se adianta mais um homem, inevitavelmente aparece espaço entre as linhas.

Claro que nem tudo está pronto. Ainda vejo momentos em que os alas demoram para recompor e deixam espaços às costas, principalmente quando o adversário acelera as transições pelos corredores. É natural. Um sistema com tanta movimentação exige sincronismo quase perfeito entre alas, zagueiros e meio-campistas. Esse tipo de ajuste só aparece com sequência de jogos, algo que o Palestra ainda está construindo nesta nova fase.

Outro ponto que considero importante é que essa mudança amplia o repertório de Abel Ferreira. Durante uma mesma partida, o Alviverde consegue defender em um 5-4-1, atacar em um 3-2-5 e, dependendo do posicionamento dos alas, transformar o sistema em uma linha de quatro sem precisar mexer no banco.

O perfil de Abel como trunfo

Poucos treinadores conseguem oferecer tantas respostas diferentes utilizando praticamente os mesmos jogadores. Talvez esse seja o maior mérito de Abel: ele não monta times presos a um esquema; monta equipes capazes de mudar de forma sem perder seus princípios.

Por isso, não vejo os três zagueiros como uma aposta passageira. Vejo como uma evolução natural de um treinador que sempre entendeu que permanecer igual é a maneira mais rápida de ficar para trás. Ainda é cedo para dizer se esse será o sistema definitivo ao Maior Campeão do Brasil, mas uma coisa já me parece evidente: entre necessidades, urgências e apostas, Abel vai moldando uma nova cara para o Palestra.