Opinião: Corinthians tem razão ao reclamar do tempo menor de descanso na final
Timão teve quase 60 horas a menos de descanso e chega à decisão com uma desvantagem que não deveria ser normalizada O Corinthians perdeu para o São Paulo ...
Timão teve quase 60 horas a menos de descanso e chega à decisão com uma desvantagem que não deveria ser normalizada
O Corinthians perdeu para o São Paulo por 2 a 1, mas existe um ponto que não pode ser tratado como detalhe: a diferença no tempo de descanso entre os dois times. Em uma final, isso pesa.
Tamires foi muito correta ao tocar no assunto. A lateral não usou as 53 horas a menos de recuperação como desculpa pela derrota, mas deixou claro que a situação prejudicou o time.
E, sinceramente, é difícil discordar. O futebol já exige muito das atletas, principalmente em uma reta final de campeonato. Quando uma equipe recebe quase dois dias a mais para recuperar o elenco, a diferença pode aparecer dentro de campo.
Não é sobre procurar desculpa para a derrota
O Corinthians poderia ter jogado melhor? Poderia. Poderia ter evitado os erros que permitiram a vitória do São Paulo? Também. Mas reconhecer esses problemas não significa ignorar uma questão de calendário que merece ser discutida.
Em mata-mata, cada detalhe ganha importância. Recuperação física, preparação, sono e tempo para trabalhar o próximo jogo fazem parte da competição tanto quanto estratégia e qualidade técnica.
Por isso, a reclamação de Tamires não deveria ser encarada como uma tentativa de justificar o resultado. A jogadora está colocando em debate uma diferença que, em uma final de campeonato, realmente chama atenção.
Corinthians precisa ser ouvido
O mais preocupante é que o assunto já havia aparecido antes mesmo da decisão. Emily Lima também havia comentado sobre a diferença de intervalo, mostrando que não foi uma reclamação criada depois da derrota no Majestoso.
E agora o Corinthians chega ao segundo jogo precisando vencer no Morumbis. O cenário já é complicado por natureza, sem necessidade de acrescentar uma preparação desigual entre os finalistas.
Não dá para afirmar que o descanso maior teria mudado o resultado do primeiro jogo. Isso seria impossível de provar. Mas também não faz sentido fingir que 53 horas de diferença não podem interferir no rendimento.
O futebol feminino precisa tratar essas questões com mais atenção, especialmente quando se chega a uma final. Se a competição quer crescer, também precisa garantir condições mais equilibradas para quem está disputando o título.
No fim, a discussão não deveria ser sobre Corinthians ou São Paulo. Deveria ser sobre o campeonato oferecer aos dois finalistas condições semelhantes para decidir quem será campeão. E esse ponto, sim, precisa ser revisto.