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Opinião: Fábio é o goleiro mais injustiçado da história da Seleção Brasileira

Ídolo do Fluminense continua decisivo em alto nível e reforça a sensação de que a Seleção Brasileira jamais reconheceu o tamanho de sua carreira A class...

Opinião: Fábio é o goleiro mais injustiçado da história da Seleção Brasileira
Opinião: Fábio é o goleiro mais injustiçado da história da Seleção Brasileira (Foto: Reprodução)

Ídolo do Fluminense continua decisivo em alto nível e reforça a sensação de que a Seleção Brasileira jamais reconheceu o tamanho de sua carreira

A classificação do Fluminense para as quartas de final da Libertadores teve um protagonista incontestável: Fábio. Prestes a completar 46 anos, o goleiro defendeu duas cobranças na disputa por pênaltis contra o Independiente Rivadavia, em Mendoza, e foi fundamental para garantir a vaga tricolor após o empate por 1 a 1. Mais uma vez, o veterano mostrou que o tempo parece jogar a seu favor.

Fábio vive aquilo que o futebol costuma chamar de “fórmula do vinho”. Quanto mais velho, melhor. Com mais de duas décadas de carreira profissional, iniciada ainda na década de 1990, o goleiro continua atuando em alto nível e sendo decisivo em partidas importantes. E é justamente essa longevidade que torna ainda mais difícil compreender sua trajetória com a Seleção Brasileira.

Desde os tempos de Vasco, passando por uma longa e vitoriosa história no Cruzeiro, até chegar ao Fluminense, Fábio construiu uma carreira que o coloca entre os grandes goleiros brasileiros de sua geração. Foram títulos, atuações memoráveis e uma impressionante regularidade. Mesmo assim, sua história com a camisa da Seleção foi muito menor do que poderia ter sido.

Fábio sempre teve forte concorrência, mas não merecia representar o Brasil em uma competição?

Fábio teve pouquíssimas oportunidades com o Brasil e, nas vezes em que foi convocado, acabou utilizado principalmente em amistosos. O goleiro nunca disputou uma Copa do Mundo, uma Copa América ou uma Copa das Confederações. E esse talvez seja um dos maiores “e se?” da história recente da Seleção Brasileira.

É claro que o Brasil sempre teve grandes goleiros. Após Taffarel, as safras seguintes revelaram nomes como Dida, Júlio César, Marcos, Rogério Ceni, Alisson, entre outros, que construíram suas próprias histórias com a camisa amarelinha. Por isso, não é possível afirmar que Fábio necessariamente seria titular em alguma Copa.

Mas é difícil justificar que um jogador de sua regularidade tenha passado tantos ciclos sem sequer receber uma oportunidade em uma grande competição.

Fábio voa para fazer defesa na disputa por pênaltis contra Independiente Rivadavia – Foto: Getty Images

Em diferentes momentos, Fábio poderia ter sido considerado. Em 2010, 2014, 2018 e até 2022, seu desempenho pelos clubes dava argumentos para uma convocação. Talvez não começasse jogando. Talvez sequer entrasse em campo. Mas sua presença no grupo seria perfeitamente justificável diante do que vinha apresentando durante anos.

Veterano manteve regularidade e foi protagonista em Cruzeiro e Fluminense

E o mais impressionante é que Fábio não construiu sua reputação a partir de uma temporada isolada. No Cruzeiro, foi protagonista durante muitos anos e participou de conquistas importantes. No Fluminense, já veterano, continuou sendo uma peça fundamental e conquistou a Libertadores de 2023. Ou seja, ele não apenas resistiu ao tempo: continuou sendo relevante conforme envelhecia.

A principal marca de Fábio talvez seja justamente a regularidade. Quando se fala no goleiro, a memória costuma ser muito mais preenchida por grandes defesas, títulos e atuações decisivas do que por falhas que tenham marcado negativamente sua carreira. Contra o Independiente Rivadavia, ainda com 45 anos, ele voltou a mostrar exatamente isso: quando o Fluminense precisou, Fábio apareceu.

Quem perdeu foi a Seleção Brasileira sem Fábio

Ele já não precisa provar nada para ninguém. Continua defendendo pênaltis em Libertadores, disputando jogos decisivos e sendo protagonista de um dos principais clubes do continente. Sua carreira já está consolidada entre as grandes da posição no futebol brasileiro.

Mas fica a sensação de que a Seleção perdeu a oportunidade de contar, em uma ou mais Copas do Mundo, com um goleiro que passou décadas provando seu valor. Na minha opinião, Fábio é o goleiro mais injustiçado da história recente da Seleção Brasileira — e cada defesa que ele faz aos 46 anos torna essa tese ainda mais difícil de contestar.