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Opinião: Grêmio mostrou no Gre-Nal o futebol que deveria ter apresentado mais vezes

O Grêmio mostrou organização, aproximação entre setores e calma no Gre-Nal. Agora, o desafio é transformar a atuação em regularidade. Atuação impecá...

Opinião: Grêmio mostrou no Gre-Nal o futebol que deveria ter apresentado mais vezes
Opinião: Grêmio mostrou no Gre-Nal o futebol que deveria ter apresentado mais vezes (Foto: Reprodução)

O Grêmio mostrou organização, aproximação entre setores e calma no Gre-Nal. Agora, o desafio é transformar a atuação em regularidade.

Atuação impecável contra o Internacional revelou um Grêmio organizado, equilibrado e capaz de jogar com qualidade.

O Grêmio teve, no Gre-Nal, algo que se tornou raridade ao longo da temporada: uma atuação praticamente impecável do ponto de vista tático e técnico. Não foi apenas uma vitória sustentada pela rivalidade, pela vontade ou pela entrega. O time mostrou futebol.

E é justamente por isso que fica impossível não fazer uma pergunta depois de uma atuação tão segura: por que o Grêmio não conseguiu jogar assim em outras oportunidades da temporada?

Durante muito tempo, uma das principais cobranças sobre a equipe foi justamente a falta de aproximação entre os setores. O Grêmio parecia, em diversos momentos, um time dividido, com distâncias grandes entre defesa, meio-campo e ataque.

No Gre-Nal, isso mudou. E mudou de forma evidente. A equipe jogou próxima, compacta e conectada. A bola circulava entre os setores sem que o jogador responsável pela posse precisasse procurar soluções impossíveis.

O Grêmio mostrou que organização também gera confiança. Quando os jogadores estão próximos, a saída de bola melhora, a transição acontece com mais naturalidade e o time consegue construir jogadas sem precisar acelerar todas as decisões.

O GRÊMIO QUE JOGOU COMO EQUIPE

A grande diferença esteve justamente na postura coletiva. O Grêmio não parecia um amontoado de jogadores tentando resolver individualmente os problemas do jogo. Existia organização e, principalmente, entendimento entre os setores.

A bola transitou pelo campo com mais calma e qualidade. A equipe conseguiu sair jogando, encontrar alternativas e esperar o momento correto para acelerar. Algo simples no futebol, mas que nem sempre foi visto no Grêmio durante esta temporada.

Também houve repertório tático. O time não viveu exclusivamente de ligação direta ou de uma jogada isolada. Houve construção, aproximação e capacidade para encontrar espaços conforme o jogo se desenvolvia.

Defensivamente, alguns nomes foram fundamentais para sustentar a atuação. Wallace, Kannemann e Noriega formaram uma base extremamente sólida e deram ao restante da equipe a segurança necessária para jogar.

Aliás, o que jogaram Wallace e Noriega merece um capítulo especial. Os dois tiveram atuações que dificilmente serão esquecidas por quem acompanhou aquele Gre-Nal. Intensidade, concentração, imposição física e qualidade para defender quando foi necessário.

Kannemann, com toda sua experiência e identificação com esse tipo de confronto, completou uma estrutura defensiva que praticamente não deu espaços ao adversário. O Grêmio soube defender sem se transformar em um time acuado.

CALMA TAMBÉM FOI UMA ARMA DO GRÊMIO

Outro aspecto chamou muito a atenção: a calma. Em um Gre-Nal decisivo, seria natural imaginar um time pilhado, acelerado e tentando resolver tudo nos primeiros minutos. O Grêmio fez exatamente o contrário.

A equipe teve paciência. Não entrou em campo desesperada, não se desorganizou e não permitiu que a tensão do clássico controlasse suas decisões. Foi um time consciente do que precisava fazer.

Essa tranquilidade fez diferença nas jogadas ofensivas. Carlos Vinícius foi abastecido e mostrou novamente por que pode ser considerado um dos melhores centroavantes em atividade no futebol brasileiro.

Quando o Grêmio conseguiu construir e aproximar seus jogadores, Carlos Vinícius recebeu condições para fazer aquilo que um centroavante precisa: participar do jogo e finalizar as oportunidades criadas.

A postura coletiva permitiu que as individualidades aparecessem. Esse talvez seja um dos maiores ensinamentos deixados pela atuação no Gre-Nal.

A classificação para a grande final agora abre uma possibilidade importante. A decisão será apenas em novembro, e o Grêmio terá tempo para trabalhar, corrigir problemas e, principalmente, buscar a regularidade que ainda falta.

O desafio de Luís Castro será provar que o Gre-Nal não foi uma exceção. Porque o futebol apresentado mostrou claramente que existe capacidade dentro deste elenco para jogar de maneira organizada, competitiva e tecnicamente qualificada.

A esperança do gremista, portanto, não está apenas na vaga conquistada. Está na possibilidade de aquele jogo representar uma afirmação. Que o Grêmio de ontem não seja apenas o Grêmio de um Gre-Nal, mas o padrão que a equipe precisa perseguir até o fim da temporada.

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