cover
Tocando Agora:

Opinião: Palmeiras não pode jogar Abel Ferreira no lixo após uma eliminação

Clube precisa cobrar treinador, jogadores e diretoria, mas uma decisão tomada no calor do momento pode custar muito mais do que uma eliminação O Palmeiras e...

Opinião: Palmeiras não pode jogar Abel Ferreira no lixo após uma eliminação
Opinião: Palmeiras não pode jogar Abel Ferreira no lixo após uma eliminação (Foto: Reprodução)

Clube precisa cobrar treinador, jogadores e diretoria, mas uma decisão tomada no calor do momento pode custar muito mais do que uma eliminação

O Palmeiras entrou na temporada com um objetivo claro: disputar todos os títulos possíveis. Por isso, é natural que exista cobrança quando o time não corresponde. Também é natural que o torcedor fique irritado, questione Abel Ferreira, peça reforços e até imagine mudanças. Torcedor pode pensar com a cabeça quente. Faz parte do futebol.

O problema começa quando essa mesma lógica passa a orientar as decisões de quem comanda o clube. Leila Pereira e Anderson Barros não podem tomar decisões olhando para as redes sociais ou para o humor da torcida depois de uma derrota. Dirigente precisa analisar contexto, planejamento, desempenho e, principalmente, aquilo que pode acontecer depois da decisão.

E existe ainda um fator financeiro importante. O Palmeiras já recebeu sondagens e propostas por jogadores como Flaco López e Giay, mas não abriu mão porque a ideia é buscar todos os títulos possíveis. Uma eliminação precoce pode significar menos premiações e obrigar o clube a recalcular a rota financeira projetada para a temporada.

Uma eliminação não pode apagar o trabalho

Se o Verdão for eliminado de uma competição, haverá impacto esportivo e financeiro. Isso é fato. O clube pode deixar de acumular premiações e, consequentemente, aumentar a importância de eventuais vendas para alcançar a projeção de receitas prevista anteriormente.

Mas isso não significa que Abel Ferreira tenha que pagar a conta sozinho. O Palmeiras ainda terá o Brasileirão pela frente, competição na qual o clube está brigando na parte de cima da tabela e que pode representar uma enorme oportunidade de conquista.

Além disso, existe uma questão básica: quem assumiria o lugar de Abel Ferreira? Demitir um treinador dessa magnitude sem ter uma alternativa claramente superior seria transformar uma crise esportiva em uma crise ainda maior. Não se pode demitir um técnico simplesmente porque a torcida está insatisfeita e depois descobrir o substituto.

A hora de decidir é no fim da temporada

Se Leila Pereira e Abel Ferreira entenderem, ao final do ano, que o ciclo chegou ao fim, tudo bem. Sentam, conversam e decidem juntos qual é o melhor caminho para iniciar uma nova temporada. Uma mudança planejada pode fazer sentido.

O que não faz sentido é uma demissão no calor de uma eliminação. Abel já entregou títulos, estabilidade e uma identidade competitiva ao Palmeiras. Isso não o torna intocável, mas faz com que ele precise ser analisado de maneira diferente de um treinador que acabou de chegar.

O torcedor tem todo o direito de cobrar. Abel tem que ser cobrado. Os jogadores têm que ser cobrados. Leila e Barros também. Mas a diretoria precisa ter a serenidade que o torcedor, naturalmente, não é obrigado a ter. Se o Palmeiras quiser continuar sendo um clube vencedor, precisa tomar decisões pensando no próximo passo — e não apenas reagindo ao último resultado.