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Opinião: Renato reacende o Grêmio, devolve confiança ao elenco e faz a torcida acreditar novamente

O retorno de Renato já mudou o ambiente do Grêmio, mas a confiança recuperada precisa se transformar em resultados dentro de campo. O empate com o Palmeiras...

Opinião: Renato reacende o Grêmio, devolve confiança ao elenco e faz a torcida acreditar novamente
Opinião: Renato reacende o Grêmio, devolve confiança ao elenco e faz a torcida acreditar novamente (Foto: Reprodução)

O retorno de Renato já mudou o ambiente do Grêmio, mas a confiança recuperada precisa se transformar em resultados dentro de campo.

O empate com o Palmeiras não trouxe apenas um ponto: reacendeu a confiança dentro e fora do Grêmio.

O Grêmio ainda tem muitos problemas para resolver, ninguém pode ignorar isso. Mas existe algo que mudou depois do empate sem gols com o Palmeiras: o ambiente voltou a respirar confiança. E, para quem acompanha o clube de perto, essa mudança não está apenas nas arquibancadas ou nas redes sociais. Ela começa a aparecer também na rotina do elenco.

Na reestreia de Renato Portaluppi, o Grêmio encarou o Palmeiras com a Arena lotada, apresentou uma postura competitiva e conseguiu somar um ponto diante de um adversário que criou dificuldades durante a partida. Weverton foi decisivo, é verdade, mas o time também mostrou organização e disposição para competir. Foi um resultado que, naquele momento, significou mais do que a tabela pode explicar.

A confiança não voltou porque todos os problemas desapareceram. Ela voltou porque o torcedor enxergou novamente um time capaz de competir. E essa talvez seja uma das primeiras grandes mudanças provocadas pela chegada de Renato: devolver ao Grêmio a sensação de que existe um caminho possível para sair do momento delicado.

A confiança começa no trabalho

Renato teve pouquíssimo tempo para preparar a equipe antes do Palmeiras. Mesmo assim, a semana seguinte mostrou uma mudança importante na rotina. O Grêmio voltou aos treinamentos durante a Data Fifa com atenção especial à parte física e, em uma das atividades, trabalhou em dois turnos, com treino técnico em campo reduzido no período da tarde.

Isso pode parecer apenas uma questão de programação, mas não é. Em momentos de pressão, a intensidade do trabalho transmite uma mensagem para o próprio elenco. Existe cobrança, existe responsabilidade e existe a necessidade de recuperar terreno. Renato sabe disso e, ao longo de suas passagens pelo clube, sempre teve uma característica muito clara: aproximar o treinador dos jogadores e transformar o ambiente de trabalho em parte importante da recuperação de uma equipe.

Outro ponto chama atenção. Renato ampliou a observação das categorias de base e chamou 12 jovens para participar dos treinamentos com o elenco profissional. A medida não significa promoção imediata, mas representa uma avaliação mais próxima de jogadores que podem se tornar alternativas para o futuro.

E isso também diz muito sobre o momento do Grêmio. Um clube que precisa reconstruir confiança precisa olhar para todos os caminhos possíveis. Renato está olhando para os jogadores experientes, para quem já está no elenco e também para os meninos que estão pedindo passagem. É uma fotografia de um treinador que quer conhecer todas as peças que tem à disposição.

O efeito Renato vai além da escalação

Existe ainda um componente que não aparece em estatística alguma: o peso do nome Renato Portaluppi. O Grêmio oficializou seu retorno em setembro, para a quinta passagem pelo clube. Ele é o treinador que mais vezes comandou o Tricolor, com 543 partidas, além de ter conquistado dez títulos em suas quatro passagens anteriores.

Por isso, quando Renato entra no CT Luiz Carvalho, conversa com os jogadores e começa a comandar os treinamentos, existe uma história inteira entrando junto naquele ambiente. O torcedor conhece Renato, os jogadores sabem o tamanho de Renato e o próprio clube conhece a capacidade que ele tem de mobilizar o Grêmio.

Isso não significa que o treinador tenha uma espécie de solução mágica. Seria irresponsável tratar dessa maneira. O Grêmio ainda precisa melhorar, pontuar fora de casa, corrigir problemas defensivos, recuperar jogadores e encontrar uma sequência de resultados. Mas o futebol também é feito de ambiente, confiança e convicção. E essas três coisas parecem estar começando a reaparecer.

Há outro detalhe importante nessa reconstrução. Além dos 12 jovens chamados recentemente, jogadores da base que já vinham participando dos trabalhos do profissional seguem sendo observados. Tiaguinho, Riquelme, Jefinho, Zortéa e Luís Eduardo estão entre os nomes que permanecem no radar. Nesta semana, cinco jogadores que integram o profissional foram encaminhados para disputar o Gre-Nal sub-20 para ganhar minutagem, enquanto um integrante da comissão técnica deve acompanhar a atividade.

O Grêmio precisa voltar a criar alternativas. Precisa voltar a formar jogadores, dar espaço para quem merece e fazer o torcedor enxergar que existe futuro além da próxima rodada. O caso de Gabriel Mec, promovido ao profissional antes de ser negociado com o Porto, mostra também que a base pode representar patrimônio esportivo e financeiro para o clube.

Agora, o trabalho é transformar sensação em resultado

É justamente aqui que entra a parte mais importante desta história. O entusiasmo provocado pela chegada de Renato precisa ser convertido em pontos. O empate com o Palmeiras foi um primeiro passo, mas não pode ser tratado como ponto de chegada. A partir de agora, a cobrança precisa continuar alta, porque o Grêmio ainda está em uma situação que exige reação.

A pausa para a Data Fifa criou um período precioso para Renato trabalhar. O clube programou inclusive um jogo-treino contra o Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul, marcado para esta sexta-feira, no CT Luiz Carvalho, justamente para observar alternativas e dar ritmo a jogadores que precisam recuperar condição.

E talvez seja essa a principal razão para o torcedor gremista voltar a acreditar: não é apenas Renato que voltou; voltou a sensação de que o Grêmio está trabalhando para reagir. Há cobrança, há observação da base, há intensidade nos treinamentos e há um treinador que conhece profundamente o clube e sabe o tamanho da camisa que está vestindo.

O Grêmio ainda não está pronto. Longe disso. Mas o cenário mudou. O torcedor que chegou à Arena pressionado e desconfiado diante do Palmeiras saiu enxergando competitividade. Agora, cabe a Renato e aos jogadores fazer com que essa confiança não seja apenas uma reação emocional ao retorno de um ídolo, mas o começo de uma transformação dentro de campo.