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Palmeiras tem um risco que Canobbio pode transformar em arma do Fluminense na Libertadores

Canobbio surge como uma peça a observar no plano tricolor, enquanto Abel precisa encontrar o equilíbrio que vai blindar e potencializar o ataque palestrino O...

Palmeiras tem um risco que Canobbio pode transformar em arma do Fluminense na Libertadores
Palmeiras tem um risco que Canobbio pode transformar em arma do Fluminense na Libertadores (Foto: Reprodução)

Canobbio surge como uma peça a observar no plano tricolor, enquanto Abel precisa encontrar o equilíbrio que vai blindar e potencializar o ataque palestrino

O Palmeiras chega à semifinal da Libertadores com uma estrutura que ganhou força nos últimos compromissos, mas o confronto com o Fluminense exige uma atenção que vai além da capacidade de atacar. No Maracanã, nesta quarta-feira (14), o desafio de Abel Ferreira será fazer o sistema funcionar também nos segundos seguintes à perda da bola. É nesse intervalo, quando uma equipe ainda tenta se reorganizar e a outra identifica a possibilidade de acelerar, que o Flu pode encontrar um caminho para ameaçar o Verdão.

A goleada por 4 a 1 sobre o Corinthians reforçou a confiança alviverde e mostrou a capacidade da equipe de ocupar o campo ofensivo, recuperar a posse e transformar determinadas ações em oportunidades de gol. O desempenho recente, porém, não elimina uma questão tática importante: quanto mais jogadores o Palestra aproxima da área adversária, maior é a responsabilidade de quem permanece atrás da jogada. Contra um rival capaz de construir por dentro e acelerar pelos lados, a qualidade da ocupação ofensiva precisa caminhar junto com a proteção dos espaços.

A utilização de três zagueiros oferece a Abel uma ferramenta para administrar esse problema. Com uma linha de três defensores, o Verdão pode manter a cobertura pelos lados enquanto um dos jogadores participa da construção ou acompanha uma movimentação adversária. Isso não significa que o sistema esteja automaticamente protegido. Se o ala avança, o zagueiro do setor precisa decidir quando acompanhar o atacante aberto e quando preservar sua posição. Uma saída mal coordenada pode abrir justamente o corredor que a formação pretende controlar.

Um alerta sobre o Fluminense

Por esse caminho que o Fluminense pode tentar incomodar o Alviverde. O time carioca combina circulação de passes, movimentação entre os setores e alternativas para acelerar as jogadas. Na semifinal, a questão não será simplesmente descobrir se o Tricolor terá mais ou menos posse, mas identificar como pretende progredir quando encontrar espaço. Se conseguir superar a primeira pressão palestrina, poderá atacar os corredores antes que os alas retornem e que os defensores reorganizem suas coberturas.

A primeira resposta da SEP precisa aparecer imediatamente após a perda da bola. Quando há jogadores próximos do local da recuperação adversária, a pressão pode interromper o contra-ataque antes que ele ganhe velocidade. O problema surge quando o primeiro combate é vencido pelo Fluminense e os palmeirenses continuam avançando individualmente para tentar recuperar a posse. Nesse cenário, a equipe corre o risco de perder referências de marcação e permitir que um passe vertical elimine mais de um jogador de uma só vez.

Há também uma zona menos evidente, localizada entre os meio-campistas e a linha defensiva. Se o Flu encontrar um jogador capaz de receber nesse espaço, girar e acelerar a jogada, os zagueiros terão de escolher entre abandonar a última linha para pressionar ou recuar diante da possibilidade de um passe em profundidade. O Palmeiras precisa evitar que o adversário receba de frente e com tempo para decidir. Fechar os corredores é importante, mas permitir liberdade por dentro pode apenas transferir o problema para uma região ainda mais perigosa.

Palmeiras de olho em Canobbio e companhia

A presença de jogadores como Canobbio e Soteldo, utilizados na formação do Fluminense que venceu o Palmeiras por 3 a 2 pelo Brasileirão, ajuda a ilustrar a possibilidade de exploração dos lados. São características individuais que podem oferecer alternativas quando o time recupera a bola e encontra espaço para avançar. A formação daquela partida, entretanto, não deve ser tratada como uma escalação garantida para a semifinal. O ponto central é compreender como o adversário em questão pode utilizar amplitude, velocidade e movimentação para obrigar a defesa palmeirense a abandonar sua organização inicial.

A comparação com os jogos recentes do Verdão precisa considerar as diferenças entre os adversários. Contra o Bahia, a análise deve observar como o Verdaço protegeu os espaços durante a saída e reagiu às perdas de posse. Diante do Corinthians, a vitória por 4 a 1 mostrou uma equipe capaz de sustentar sua presença ofensiva e aproveitar as oportunidades criadas. Os dois jogos oferecem material para avaliar o funcionamento da estrutura, mas não autorizam concluir que o Fluminense encontrará os mesmos problemas ou oferecerá as mesmas condições de jogo.

O clássico entre Fluminense e Flamengo também exige uma leitura cuidadosa. A equipe de Marcão perdeu por 1 a 0 utilizando uma formação modificada, em um contexto de preparação para a semifinal. O resultado não permite afirmar que o Tricolor chegará fragilizado nem comprova que a estratégia de preservação tenha produzido uma vantagem física decisiva. Para a análise tática, interessa observar os comportamentos coletivos que possam ser mantidos com a volta de jogadores habituais e separar aquilo que foi consequência da escalação daquilo que representa uma característica do modelo de jogo.

Do lado Verde e Branco, a solução não precisa passar por uma redução indiscriminada das subidas dos alas ou por uma equipe excessivamente preocupada em proteger a própria área. Abel pode buscar equilíbrio com ajustes de posicionamento: garantir que um dos jogadores do meio permaneça em condições de proteger a entrada da defesa, coordenar a cobertura do lado oposto e evitar que os três zagueiros sejam obrigados a defender grandes distâncias em campo aberto. A ideia é preservar a capacidade ofensiva do Maior Campeão do Brasil sem transformar cada perda de bola em uma corrida para trás.

Como diria Avallone: “uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa”

Existe ainda uma diferença importante entre pressionar e simplesmente perseguir o adversário. A SEP precisa identificar quando vale tentar recuperar a posse imediatamente e quando é mais seguro atrasar a progressão do Fluminense, recompondo as linhas antes de disputar novamente a bola. Essa escolha depende da localização da perda, da quantidade de jogadores próximos e da possibilidade de proteger o passe seguinte. Uma pressão bem coordenada pode sufocar a transição; uma tentativa desorganizada pode oferecer ao Tricolor exatamente o espaço que procura.

A semifinal coloca uma questão que vai além da disputa pela posse ou da capacidade de cada equipe de criar chances. O Verdão precisa atacar com a convicção que demonstrou recentemente, mas também estar preparado para o momento em que o adversário recuperar a bola e tentar acelerar. Se conseguir proteger os corredores, fechar os espaços entre meio-campo e defesa e reagir de maneira coordenada às perdas, o Palestra poderá reduzir uma das principais possibilidades de ameaça do Fluminense. No Maracanã, a força ofensiva de Abel será importante, mas a capacidade de impedir que ela se transforme em vulnerabilidade pode ser decisiva.