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Paulinho ganha papel tático como solução diferente para um problema já conhecido no Palmeiras

Criar mais ou criar diferente? A mudança de perfil que pode decidir a reta final do Palmeiras com o retorno de Paulinho O Palmeiras chega à Data Fifa com uma...

Paulinho ganha papel tático como solução diferente para um problema já conhecido no Palmeiras
Paulinho ganha papel tático como solução diferente para um problema já conhecido no Palmeiras (Foto: Reprodução)

Criar mais ou criar diferente? A mudança de perfil que pode decidir a reta final do Palmeiras com o retorno de Paulinho

O Palmeiras chega à Data Fifa com uma contradição que ajuda a explicar por que Paulinho pode ganhar importância na reta final. O time produz, controla partidas e consegue empurrar adversários para trás, mas ainda encontra dificuldade para transformar superioridade em gols. Contra o Grêmio, foram impressionantes 31 finalizações, 72% de posse e 2,49 de xG (expectativa de gols), mas o placar terminou 0 a 0. O próprio auxiliar João Martins resumiu o problema como falta de eficácia, enquanto Gustavo Gómez também apontou a necessidade de melhorar a conclusão das jogadas.

Exatamente nesse ponto que o retorno de Paulinho pode alterar a estrutura tática palestrina. O atacante já declarou que se sente mais confortável atuando por dentro, como segundo atacante ou falso nove, e explicou que suas principais características aparecem quando pode atacar o último terço com liberdade. Essa característica conversa diretamente com uma questão que o Verdão apresentou em diferentes momentos da temporada.

Há volume pelos lados, mas nem sempre existe uma segunda ameaça atacando o espaço central na mesma velocidade. O dado individual de 2026 precisa, porém, ser tratado com cuidado. Paulinho participou de seis partidas do Brasileirão, somando 148 minutos e dois gols, segundo o FBref; no recorte oficial da SEP, são nove jogos na temporada e dois gols. Isso significa que sua produção por minuto chama atenção, mas a amostra ainda é pequena demais para transformar esses números em uma garantia de rendimento.

O que existe, por enquanto, é uma indicação objetiva de que ele conseguiu ser decisivo mesmo tendo atuado quase sempre como alternativa de segundo tempo. O contraste aparece quando olhamos para o Palestra sem Paulinho desde sua última partida, em 26 de julho. A partir dali, o time disputou oito jogos de Brasileirão sem contar com o atacante e marcou 13 gols, mas acumulou três empates e uma derrota nesse intervalo.

As mudanças que a entrada de Paulinho pode engatilhar

O cenário fica ainda mais interessante depois da retomada do campeonato: nas cinco partidas contra Vitória, Internacional, Fluminense, Vasco, Mirassol e, no recorte posterior, Botafogo, São Paulo e Grêmio, o Alviverde alternou momentos de grande produção com dificuldades para converter domínio em resultado. Desde a volta da Copa, foram três empates contra equipes da parte de baixo da tabela.

O impacto de Paulinho pode estar menos relacionado à quantidade bruta de finalizações e mais à qualidade das situações criadas. O Palmeiras já mostrou que consegue chegar muitas vezes ao ataque. A questão passa a ser quem consegue transformar esse domínio territorial em movimentos que desorganizem a última linha. Paulinho tem características para atacar justamente esse espaço: aceleração, condução, movimentação por dentro e capacidade de aparecer próximo da área.

Há ainda uma consequência tática importante para Abel Ferreira. Paulinho pode permitir que se mantenha um ponta ou ala dando amplitude enquanto ele ocupa o corredor interno, formando uma espécie de segunda linha de ataque ao lado do centroavante. Em vez de depender exclusivamente de cruzamentos, passes laterais ou infiltrações dos meias, o time passa a ter outra peça capaz de receber entre linhas, carregar a bola e atacar a área. O próprio jogador explicou que, quando atua mais próximo do gol, consegue explorar melhor potência e velocidade.

Essa característica também pode potencializar jogadores que já fazem parte da estrutura. Vitor Roque poderia encontrar mais espaço para atacar a última linha se Paulinho recuar ou conduzir por dentro, enquanto Flaco López pode se beneficiar de uma segunda movimentação próxima à área. Da mesma maneira, jogadores como Arias e Mauricio poderiam receber mais liberdade para atacar os lados sem que o sistema fique dependente de todos os jogadores chegando simultaneamente ao ataque.

Com o camisa 10 aumentam as possibilidades táticas

Existe ainda uma dimensão de transição. O Palmeiras tem utilizado diferentes estruturas, inclusive sistemas com três zagueiros, e isso pode gerar uma situação interessante para Paulinho. Ele não precisa necessariamente começar aberto para participar da construção ofensiva. Pode partir de uma zona lateral e rapidamente migrar para dentro, recebendo a bola em movimento e acelerando a transição. É uma característica especialmente útil em partidas nas quais o adversário mantém muitos jogadores atrás da linha da bola e o Verdão precisa de alguém capaz de romper a primeira barreira individualmente.

O retorno, entretanto, precisa ser administrado. Paulinho sofreu uma nova lesão no tendão do adutor longo da perna direita em agosto, depois de ter voltado a atuar em 2026 após um longo período de recuperação. A previsão atual é de retorno após a Data Fifa. Portanto, imaginar Paulinho imediatamente como titular absoluto seria ignorar justamente a variável física que condicionou sua temporada.

A peça que está faltando?

É aí que a reta final pode oferecer ao Palmeiras uma possibilidade diferente: Paulinho não precisa resolver sozinho o problema da eficácia, mas pode acrescentar uma ferramenta que hoje faz falta à estrutura. O time já produz volume, tem jogadores capazes de controlar o jogo e apresenta uma defesa consistente. O próximo passo é aumentar a variedade das ameaças perto da área. Se conseguir recuperar Paulinho progressivamente, Abel poderá ganhar um atacante que joga por dentro e aproxima diferentes peças do gol. Depois de uma partida de 31 finalizações terminar sem gol, talvez o debate não seja mais sobre criar mais e sim sobre criar de maneiras diferentes.