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Santos sem Neymar: a mudança tática que pode complicar os planos do Palmeiras

A ausência de Neymar não resolve o clássico: o Verdão terá de interpretar a nova estrutura rival para transformar o cenário em vantagem O Palmeiras encon...

Santos sem Neymar: a mudança tática que pode complicar os planos do Palmeiras
Santos sem Neymar: a mudança tática que pode complicar os planos do Palmeiras (Foto: Reprodução)

A ausência de Neymar não resolve o clássico: o Verdão terá de interpretar a nova estrutura rival para transformar o cenário em vantagem

O Palmeiras encontrará um Santos diferente na Vila Belmiro. Suspenso após ser expulso contra o Bahia, Neymar desfalca a equipe de Cuca no clássico desta quarta-feira, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. A ausência do camisa 10 naturalmente modifica a preparação santista. O detalhe mais importante está na resposta escolhida pelo treinador, pois Cuca reorganizou o esquema de jogo da equipe para enfrentar o Palestra.

A entrada de Christian Oliva sinaliza essa mudança de perspectiva. Com o volante uruguaio, Cuca pretende reforçar a proteção do meio-campo e devolver ao time uma configuração mais equilibrada. Gabriel Bontempo pode atuar mais adiantado, enquanto Philippe Coutinho e Everton Cebolinha permanecem como alternativas para alimentar Gabigol. Não é uma simples troca de nomes. A alteração modifica a distribuição das responsabilidades e pode transformar a maneira como o Santos pretende disputar os espaços contra o Palmeiras.

Sem Neymar, Coutinho tende a ganhar importância na articulação ofensiva. Bontempo também poderá participar mais próximo dos atacantes, enquanto Cebolinha oferece uma alternativa de aceleração pelos lados. Gabigol, por sua vez, continua sendo a referência para concluir as jogadas. Nenhum deles reproduz individualmente o repertório do camisa 10, mas essa não precisa ser a intenção santista. O desafio de Cuca é fazer com que diferentes características se complementem e reduzam a dependência de uma única referência técnica.

O possível reforço do meio-campo, entretanto, traz uma consequência que interessa diretamente ao Verdaço. Com mais proteção por dentro, o Santos pode dificultar a progressão central e obrigar o Alviverde a buscar outros caminhos para chegar à área. A equipe de Abel Ferreira precisará movimentar a marcação, criar linhas de passe e explorar os corredores sem transformar a circulação de bola em uma sequência previsível de passes diante de um bloco organizado. Se o Peixe conseguir fechar os espaços centrais, a insistência pelo mesmo caminho poderá facilitar o trabalho defensivo dos mandantes.

A oportunidade que se abre ao Palmeiras

Existe, porém, um preço potencial nessa escolha. Uma equipe mais preocupada em proteger a própria intermediária precisa encontrar maneiras de não se desconectar do ataque. Se o Santos recuar demais seus jogadores de criação, Gabigol poderá ficar isolado, e Cebolinha terá de percorrer distâncias maiores para participar das jogadas. Nesse cenário, o Palestra poderá recuperar a bola e atacar antes que o adversário reorganize suas linhas. A oportunidade não nasce simplesmente da ausência de Neymar, mas do espaço que uma eventual postura mais conservadora pode deixar durante as transições.

É justamente nesse momento que a movimentação dos homens de meio-campo palmeirenses ganha importância. A equipe precisará reconhecer quando acelerar, quando atrair a marcação e quando utilizar os lados para desorganizar a estrutura santista. O objetivo não é acumular posse de bola sem propósito, mas obrigar o adversário a tomar decisões defensivas. Quanto mais o Santos precisar deslocar seus jogadores para acompanhar as movimentações do Verdão, maior poderá ser a possibilidade de encontrar espaços em regiões decisivas.

De olho em Philippe Coutinho

Coutinho representa outra questão que merece atenção. Sua capacidade de participar da construção pode oferecer ao Santos uma alternativa para escapar da pressão e conectar o meio-campo ao ataque. Para limitar essa influência, o Palmeiras precisará dificultar as recepções do meia e reduzir o tempo disponível para decidir. Isso exige coordenação entre os setores, porque pressionar o portador da bola sem fechar as opções de passe pode apenas transferir o problema para outro jogador. Se Coutinho encontrar liberdade para articular, a ausência de Neymar não impedirá o Santos de construir ataques perigosos.

Pelos lados, Cebolinha acrescenta uma ameaça diferente. Sua aceleração pode ser especialmente relevante quando o Santos recuperar a posse e encontrar espaço nas costas dos jogadores palestrinos que avançaram. A equipe de Abel precisará equilibrar a ocupação ofensiva com a recomposição, evitando que uma perda de bola deixe os corredores desprotegidos. Esse cuidado não significa abrir mão de atacar. Significa impedir que a busca pelo gol ofereça ao adversário justamente o cenário de que precisa para compensar a ausência de seu principal articulador.

O contexto da tabela aumenta o peso dessas escolhas. O Palmeiras chegou à rodada com 69 pontos, na perseguição ao Flamengo, enquanto o Santos, com 46, busca se aproximar da zona de classificação para a Libertadores de 2027. Para os mandantes, o clássico representa uma oportunidade de recuperar terreno na disputa por uma vaga continental. Para o Verdão, qualquer tropeço pode custar caro na corrida pelo título. As necessidades são diferentes, mas convergem em um ponto: nenhum dos lados tem motivos para tratar o confronto como uma partida de menor importância.

Cenário no rival mudou o desafio para o Palestra

A ausência de Neymar, portanto, não elimina o perigo santista; modifica a natureza do desafio. Em vez de concentrar a atenção em uma referência individual, o Verdão terá de identificar como o adversário distribui a criação, protege o meio-campo e procura acelerar pelos lados. Ao mesmo tempo, precisará testar os limites dessa reorganização, explorando os espaços que surgirem quando o Santos defender mais jogadores atrás da bola.

A leitura do confronto passa menos pela fama de quem estará ausente e mais pela maneira como os demais serão utilizados. O clássico coloca diante do Palmeiras uma questão que vai além da suspensão de Neymar: como transformar uma vantagem aparente em vantagem efetiva dentro de campo. Cuca sinaliza uma equipe mais protegida, mas essa escolha também pode reduzir as opções ofensivas e abrir oportunidades nas transições. Cabe ao Palestra identificar essas contradições sem subestimar a capacidade de resposta do rival.