São Paulo paga salários atrasados em CLT dos jogadores, mas ainda tem 3 meses de imagem
Após reunião de Massis com líderes do elenco, São Paulo quita salários em carteira atrasados O São Paulo pagou os salários atrasados em CLT dos jogadore...
Após reunião de Massis com líderes do elenco, São Paulo quita salários em carteira atrasados
O São Paulo pagou os salários atrasados em CLT dos jogadores, mas ainda tem três meses de imagem conforme apurou o Bolavip Brasil. O clube pagou parte dos salários em carteira de agosto, que venceu no dia 8.
Os direitos de imagem acumulam três meses de atraso, podendo chegar a quatro no dia 28.
O São Paulo quitou, no final da tarde desta sexta-feira (11), os salários registrados em carteira (CLT) referentes ao mês de agosto com todo o elenco profissional. Os vencimentos, que deveriam ter sido pagos na última terça-feira (8), foram regularizados após uma operação financeira escalonada pela diretoria.
Jogadores fizeram pacto para tentar blindar o elenco
Mesmo diante do cenário, as lideranças do elenco vêm tentando evitar que a questão financeira tome conta do dia a dia no vestiário. Os jogadores fizeram uma espécie de pacto interno para procurar se blindar ao máximo e manter o foco nas atividades e nos compromissos esportivos.
A preocupação, porém, existe. Os atletas sabem que o atraso não está restrito aos direitos de imagem, que já vinham sendo pagos com dificuldades pelo clube. Agora, a situação chegou também à parcela dos vencimentos registrada em carteira, aumentando a dimensão da crise.
É nesse contexto que surgiu o pedido para priorizar os jogadores mais jovens. A avaliação das lideranças é de que atletas que estão no início da carreira podem ter uma responsabilidade financeira muito maior dentro de casa, mesmo recebendo valores inferiores aos dos principais nomes do elenco.
Experiência ajuda a entender dificuldade dos mais jovens
Um dos líderes do elenco relatou, em conversa reservada, uma experiência que ajuda a explicar o pensamento do grupo. Quando era jovem e havia acabado de subir para o profissional, ele já carregava responsabilidades familiares importantes e passou a ser uma das principais fontes de renda dentro de casa.
A situação é comum no futebol: muitos jogadores chegam ao profissional ainda adolescentes e, rapidamente, passam a ajudar financeiramente pais, irmãos e outros familiares. O primeiro salário de um atleta pode representar uma mudança completa na realidade econômica de uma família.
Por isso, os jogadores mais experientes entendem que o impacto de um salário atrasado pode ser completamente diferente dependendo de quem está esperando aquele dinheiro. Para um atleta consolidado, que conseguiu construir patrimônio ao longo da carreira, existe em alguns casos uma reserva financeira maior. Para um jovem, a realidade pode ser outra.
Isso não significa, naturalmente, que todos os jogadores experientes estejam em uma situação financeira confortável. Existem exceções dentro do próprio elenco. Arboleda, por exemplo, é uma liderança do grupo, mas também enfrenta desafios financeiros particulares e não necessariamente se encaixa na ideia de um atleta com grande estabilidade econômica.
Há uma expectativa de que o clube possa buscar uma solução ainda nesta sexta-feira, mas isso não está confirmado. Trata-se, neste momento, mais de uma possibilidade e de uma expectativa interna do que de uma programação definida pela diretoria.
São Paulo já antecipou muitos recursos
A dificuldade para encontrar uma solução imediata também está relacionada ao próprio fluxo financeiro do clube. O São Paulo já realizou antecipações de receitas importantes nos últimos anos e, por isso, possui menos margem para simplesmente buscar novos recursos dessa maneira.
Contratos envolvendo receitas futuras, incluindo acordos comerciais e outras operações, já tiveram valores antecipados. O problema é que recorrer novamente a esse mecanismo pode significar comprometer receitas que seriam importantes para o funcionamento do clube nos próximos anos.
É justamente esse equilíbrio que torna a situação mais delicada. Conseguir dinheiro agora pode ajudar a resolver uma emergência, mas antecipar receitas de forma excessiva também pode aumentar os problemas financeiros no futuro.
Por isso, a diretoria precisa encontrar uma alternativa que permita colocar os salários e demais compromissos em dia sem simplesmente transferir o problema para os próximos anos.
Crise financeira chega a um momento delicado
O pedido das lideranças mostra que o problema financeiro já ultrapassou a esfera administrativa e passou a fazer parte das conversas internas do elenco. Ainda assim, os jogadores tentam evitar que a situação provoque uma ruptura no ambiente de trabalho.
A prioridade apontada pelos líderes é garantir que os atletas que mais precisam tenham algum tipo de alívio assim que houver dinheiro disponível. Depois, a intenção é avançar gradualmente até que todos os jogadores estejam novamente com os pagamentos regularizados.
O São Paulo, entretanto, ainda precisa encontrar a fonte desse recurso. Enquanto não houver dinheiro novo ou uma operação financeira capaz de gerar caixa, a diretoria continuará sem conseguir estabelecer uma data definitiva para o pagamento.
O momento é delicado justamente porque o clube precisa conciliar a necessidade de resolver uma urgência atual com a preocupação de não comprometer ainda mais suas receitas futuras. E, dentro do elenco, a tentativa das lideranças é fazer com que essa dificuldade seja enfrentada de maneira coletiva, protegendo principalmente quem pode sentir mais rapidamente os efeitos do atraso.