Tratamento desigual no pagamento de dívidas com elenco expõe bagunça na gestão do São Paulo
Variação nos prazos de imagem revela a verdadeira dimensão da desordem nos bastidores Lideranças das organizadas do São Paulo visitaram o CT da Barra Fund...
Variação nos prazos de imagem revela a verdadeira dimensão da desordem nos bastidores
Lideranças das organizadas do São Paulo visitaram o CT da Barra Funda para conversar com o elenco e prometeram apoio aos atletas, solidarizando-se com os atrasos financeiros. O protesto destacou débitos de até três meses, porém, o problema apresenta camadas que vão além do que está na superfície dos débitos.
Segundo apuração dos jornalistas Pedro Lopes e Gabriel Sá, do Portal Uol Esportes, as dívidas envolvem direitos de imagem, com casos distintos (com casos que variam de quatro meses a atletas sem nenhum recebimento no ano), sem afetar a carteira de trabalho.
Outra queixa da equipe diz respeito à priorização dos pagamentos, em que atletas menos utilizados acabam sendo preteridos na fila de quitação das dívidas. Relatos de atletas revelam que as pendências não se limitam aos direitos de imagem de três meses: incluem também o descumprimento de parcelas do acordo firmado pela diretoria em fevereiro, referente a débitos herdados da gestão de Julio Casares.
O departamento de futebol são-paulino admite os atrasos financeiros, mas não especifica prazos, situações individuais ou a veracidade dos relatos mais graves, aponta a reportagem do Uol Esporte.
Empresários também pesam na lista das dívidas
Vale destacar: contrato de imagem não é como salário na CLT! Os pagamentos costumam ser bimestrais ou trimestrais, por isso a contagem dos meses varia tanto entre os jogadores. A crise financeira no Morumbis é pesada, com uma enxurrada de cobranças de atletas e agentes. Para se ter ideia do tamanho do buraco, o clube precisou acertar recentemente R$ 16 milhões para liquidar os últimos débitos com o megaempresário Giuliano Bertolucci, uma dívida que bateu a casa dos R$ 76 milhões considerando só este agente.
Em meio a uma crise financeira profunda, o São Paulo acumula pendências milionárias com agentes e atletas. O clube negocia parcelamentos longos, como o acordo firmado com o empresário André Cury para quitar R$ 26 milhões até o fim deste ano, enquanto enfrenta diversas outras cobranças judiciais e extrajudiciais — que incluem desde R$ 10 milhões pela contratação de Jhegson Méndez até R$ 14 milhões em um processo alegando negligência médica envolvendo o zagueiro Ruan Tressoldi.
Um solução imediata em meio ao caos político
Para tentar aliviar o caixa, a diretoria busca alternativas de liquidez imediata, como a antecipação de R$ 130 milhões associada à troca de sua fornecedora de ingressos para a Ticketmaster. O cenário de sufoco financeiro ganha contornos ainda mais complexos devido ao momento de instabilidade política do clube, que se prepara para a eleição presidencial em dezembro.